Governo prioriza abastecimento humano e interdita barragens

Objetivo é fazer interligação entre as bacias e as grandes barragens para melhorar oferta de água

Luciano Coelho, Especial para o Estado,

31 Outubro 2012 | 19h07

O coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) Estadual, José Carvalho Rufino, revelou que as barragens Salinas (São Francisco do Piauí e Oeiras), Ingazeiras (Paulistana), Petrônio Portela (São Raimundo Nonato), Pedra Redonda (Conceição do Canindé) e Bocaina foram interditadas apenas para consumo humano, por conta do baixo nível de armazenamento. O DNOCS, Instituto de Desenvolvimento do Piauí (IDEPI) e Defesa Civil analisam liberar água destas barragens numa tentativa de perenizar água nos rios Canindé e Piauí para garantir abastecimento para os municípios próximos. A captação de água nestas barragens foi proibida, exceto para consumo humano.

 

"Nossa intenção é fazer uma interligação entre as bacias e as grandes barragens, de forma a melhorar a oferta de água. Queríamos perenizar os rios Piauí e Canindé, que estão com os leitos secos, para ter água para os rebanhos. A tendência é se alongar o período de estiagem e com ela os problemas.", comentou o coordenador do DNOCS.

 

O açude Ingazeiras, que abastece Paulistana e região, têm capacidade para 24 milhões de metros cúbicos. Atualmente está com menos de 8 milhões de metros cúbicos. Houve uma decisão judicial para proibir o uso da água daquele açude para abastecer as obras da ferrovia Transnordestina e também para irrigação. "Lá está num ponto crítico para a captação de água. Priorizamos o abastecimento humano.", informou José Carvalho Rufino.

 

Em São Raimundo Nonato, a barragem Petrônio Portela tem capacidade para 185 milhões de metros cúbicos de água, hoje tem menos de 100 milhões. Esta é a maior barragem na região. Na região do semi-árido, entre São Francisco e Oeiras, a barragem Salinas tem capacidade para 387 milhões de metros cúbicos de reserva de água. No entanto, está com menos de 270 milhões de metros cúbicos.

 

No município de Conceição do Canindé, também na região do cristalino do semiárido, a barragem Pedra Redonda está com a metade da capacidade de reserva de água. A barragem hoje tem 120 milhões de metros cúbicos, dos 216 milhões possíveis.

 

No açude Bocaina, na cidade do mesmo nome, a situação é mais dramática. O açude chegou a menos de um terço da capacidade. O nível de água caiu de 106 milhões de metros cúbicos de capacidade máxima, para menos de 37 milhões de metros cúbicos e compromete o abastecimento humano, porque a água não tem mais a qualidade para o consumo.

 

"Nós estamos num impasse, entre fechar ou abrir as comportas. Priorizamos o consumo humano, mas teremos que decidir isso. O problema é que a água pode ficar imprestável tanto na fonte de captação, quanto no leito dos rios. Temos que garantir água para população e vamos nos reunir para decidir isso esta semana ainda.", finalizou o coordenador do DNOCS.

 

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