Governo promete pressão na deportação de estudante em Madri

Patrícia Camargo Magalhães, barrada na Espanha, entra com recurso para retirada do registro da deportação

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2008 | 19h40

O Ministério das Relações Exteriores e a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados comprometeram-se nesta quarta-feira, 12, a fazer pressão política no governo da Espanha, para que seja revogada a ordem de deportação contra estudante Patrícia Camargo Magalhães, mestranda em Física pela USP. Patrícia foi detida no dia 10 de fevereiro ao descer em Madri e foi deportada três dias depois, quando ficou barrada com outras 60 pessoas.     Veja também:Estudante confirma maus tratos sofridos na Espanha à CâmaraCâmara deve convocar embaixador da EspanhaPF admite reciprocidade em deportação de europeus   Saiba como agir se for barrado em aeroporto Brasil deve adotar medidas contra espanhóis   Depois de apelos feitos por Patrícia no telefone de recados do Consulado do Brasil em Madri, o Itamaraty enviou ao governo espanhol documentos segundo os quais ela estava apenas de passagem pela cidade, pois iria a um congresso de física, em Lisboa.  Apesar do empenho do governo brasileiro, a Espanha não cedeu e mandou a estudante de volta. Ela disse que se sentiu muito abandonada, porque ninguém foi visitá-la. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o governo fez de tudo para ajudá-la. "Foi um absurdo o que ocorreu com ela. Mas o governo se empenhou. Infelizmente, não deu resultados", disse o ministro. Recurso Patrícia informou nesta quarta-feira, 12, que entrou com recurso no Consulado da Espanha, no Brasil, para que seja retirado de seu passaporte o registro da deportação.  "Eu hoje sou uma pessoa manchada. Não posso entrar em para qualquer país da União Européia", disse a estudante. Ela acha que não terá muitas chances de sucesso. "Disseram que a resposta poderá ser dada em três meses e que dependerá da burocracia da alfândega", afirmou ela. "Como dependerá daquele pessoal lá, sei que será difícil". O coordenador-geral de Imigração da Polícia Federal, delegado César Augusto Toselli, informou a Patrícia que ela terá um novo passaporte. "É um caso excepcional que abrimos para os cidadãos brasileiros que estão com esse tipo de problema", disse ele.  Mesmo assim, a situação da estudante não mudará, caso não consiga que seu processo seja revisto. Em qualquer país da União Européia seu nome constará da lista dos que foram deportados. No passaporte de Patrícia, há um carimbo do Aeroporto de Barajas, em Madri, e uma xis sobre ele. "É a marca que terei de carregar para sempre", disse ela. Patrícia disse que, por causa da superlotação de barrados no aeroporto, foi obrigada muitas vezes a descansar e comer no chão. Também ficou sem tomar banho e escovar os dentes.  "Por volta de 1h30 da manhã eles costumavam abrir um quarto que tem lá, para que a gente pudesse dormir". Ela disse que achava que sua situação era ruim. Mas sabe que há outras, muito piores. "Fiquei presa por três dias; outros tiveram pior sorte do que eu, pois ficaram sete, dez dias". Campos de Concentração O diretor do Departamento de Brasileiros no Exterior, Eduardo Gradilone, disse que atualmente há milhares de cidadãos brasileiros em "campos de concentração", aguardando a deportação, principalmente em países da Europa, e nos Estados Unidos.  "Temos 27 mil brasileiros presos nos Estados Unidos, em locais que são iguais a campos de concentração". Ele admitiu que a Espanha, apesar da guerra de deportações com o Brasil, é um dos países que mais tratam bem o migrante. "Dos 110 mil cidadãos brasileiros que foram para lá, sem documentação, 70 mil já estão regularizados", disse ele.

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