Governo quer aumentar combate a tráfico em favelas do RJ

Depois de montar um novo esquema de policiamento para a Linha Vermelha e de receber a Força Nacional de Segurança para vigiar as divisas do Estado, a Secretaria de Segurança do Rio lançará outra frente para combate à criminalidade, que contemplará as favelas dominadas por traficantes. O modelo ainda está em estudo, por isso, o secretário José Mariano Beltrame não quis fornecer detalhes a seu respeito.Questionados, nem o comandante da PM, coronel Ubiratan Ângelo, nem o chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, quiseram falar sobre o assunto. O comandante limitou-se a dizer que o plano "é do governo do Estado" e que "as ações nas favelas têm sempre de ser dinamizadas".Entre as favelas, a Mangueira, onde na terça-feira, 16, uma operação da Polícia Civil acabou com três criminosos mortos e dois ônibus e um carro de passeio incendiados, é considerada pela polícia um dos maiores - senão o maior - redutos da facção criminosa Comando Vermelho. No morro, foram feitos ataques violentos que assustaram o Rio no fim de dezembro, segundo mostraram investigações policiais.O delegado Rodrigo Oliveira, que já chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes e hoje está à frente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), lembrou que a favela tem posição estratégica. "Fica na zona norte e é perto da zona sul; é um porto seguro para o tráfico." O morro recebe grande quantidade de drogas, distribuídas para favelas dominadas pela mesma facção, como as do Complexo do Alemão. Há uma semana, foram apreendidas 2,5 toneladas de maconha na Mangueira.Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, que também já ocupou o cargo de Beltrame, considera que um plano que vise a acabar com o domínio dos traficantes tem de focar na permanência da polícia nas comunidades, e não em incursões rápidas. "Não existe mistério", afirmou Soares. As milícias que se espalham pelas favelas do Rio - as quais considera nefastas -, são, para ele, uma prova de que é possível acabar com o domínio dos traficantes. O antropólogo, que atualmente é secretário de Valorização da Vida e Prevenção à Violência em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, lembrou que é imprescindível transformar a relação da polícia com os moradores das favelas. "Os policiais são vistos como inimigos. O Rio de Janeiro é campeão mundial de brutalidade policial. Em 2005, 1.087 pessoas foram mortas em operações policiais; em São Paulo, foi um terço disso; em Minas, foram 72 casos."

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