Governo quer convocar militares para controlar espaço aéreo

O governo federal considera convocar militares da Aeronáutica que já foram para a reserva para trabalharem nos centros de controle do espaço aéreo, em particular na região controlada pelo Cindacta-1, em Brasília, onde estão ocorrendo problemas devido à saturação de aviões e falta de controladores de vôo. A proposta começou a ser debatida no final da tarde desta segunda-feira, 30, pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, com representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Aeronáutica e da Infraero.A possibilidade de convocar militares na reserva pode ser feita por meio de portaria do comando de uma das três Forças Armadas - Aeronáutica, Marinha e Exército. O governo avalia essa saída como a forma mais rápida de solucionar os transtornos da falta de pessoal no controle de tráfego.Os militares da reserva convocados precisariam de menos tempo de treinamento que novos contratados para ocupar esses cargos. A estimativa é que poderia variar entre uma semana a um mês de treinamento, dependendo do tempo que estão afastados.Segundo fontes do governo, existem duas formas para trazer de volta à ativa os militares: Uma é a designação para o serviço ativo, nesse caso o servidor não recebe gratificação extra à sua remuneração, mas teria direito a alguns benefícios, como utilização de apartamento funcional, e é promovido a um posto imediatamente acima ao que foi para reserva.A outra forma é chamada de Prestador de Tarefa por Tempo Certo (Ptpc) em que o funcionário é convocado por tempo determinado, não pode voltar a usar farda, mas uma gratificação adicionada ao salário.Emergencialmente, o Comando da Aeronáutica transferiu para Brasília, na última sexta-feira, 11 profissionais que trabalham nos centros de controle de tráfego aéreo de outras regiões do País. Até o final da semana, a expectativa é que esteja concluído o treinamento específico pelo qual eles estão passando para que possam ocupar os lugares de outros oito controladores em Brasília, afastados temporariamente por causa das investigações da queda do Boeing da Gol no dia 29 de setembro. Essa transferência, no entanto, não poderá ultrapassar 90 dias.No início da noite desta segunda, a Aeronáutica confirmou que durante a tarde houve retenções de vôos nos aeroportos do Galeão (RJ), Santos Dumont (RJ), Vitória (ES), Confins (MG), Pampulha (MG), Congonhas (SP) que passariam pelo espaço aéreo controlado pelo Cindacta-1. Houve atrasos em cascata em vários outros aeroportos. Os vôos de Brasília que registraram atrasos em razão da estratégia de retenção, segundo a assessoria, foram cerca de 30. Somente pela manhã, dez vôos foram atrasados em média uma hora.

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