Governo revê prazos e marca remoção para janeiro

O secretário de Estado da Habitação e presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, afirmou que o atraso no cronograma das remoções ocorreu "exclusivamente" pelo problema jurídico nas licitações dos conjuntos habitacionais. Ele nega ter abandonado o atendimento social e a prestação de informações sobre as remoções, como reclamam as famílias. "Eu só posso avisar as famílias sobre os locais quando os conjuntos estiverem quase prontos. Elas vão poder escolher o local para onde vão", disse o secretário.A construção de 1.800 moradias no Jardim Casqueiro, em Cubatão, foi interrompida pela suspensão da licitação. "Conseguimos derrubar a última liminar na semana passada. Na terça-feira, já vamos assinar o contrato para o início da construção. O terreno da área já está preparado", disse Krähenbühl.O secretário ressaltou ainda que o governo está definindo conjuntos semiprontos em cidades da Baixada Santista e da Grande São Paulo para transferir as famílias. Moradias em Itanhaém, Peruíbe e Itaquaquecetuba devem ser financiadas. A mensalidade não ultrapassará R$ 100, segundo o secretário. "Até o fim deste ano, queremos concluir a construção de algumas casas e apartamentos."Xico Graziano, secretário de Estado do Meio Ambiente, considera uma vitória o congelamento da área, apesar do atraso nas remoções. "Infelizmente tivemos um problema jurídico por quase oito meses. O importante no momento é preservar o patrimônio ambiental, que é o que estamos fazendo", disse."Nossa intenção é construir um Jardim Botânico em parte das áreas que serão desocupadas já perto do mangue, em Cubatão", acrescentou Graziano. Ao todo, a PM mobiliza 130 policiais para conter novas invasões e reformas nos imóveis.FAUNA E FLORA Com a inauguração da Via Anchieta, no fim dos anos 50, a maior parte dos trabalhadores não quis voltar para o Nordeste. A solução de moradia, então, foi erguer barracos nas encostas da serra. Sem fiscalização, as invasões cresceram com a chegada de parentes dos trabalhadores e, em 1980, já eram 16 mil pessoas em áreas de risco.O Programa Serra do Mar tem como meta erradicar o problema ambiental mais grave do Estado, na avaliação do governador José Serra. Da mata verde e densa da serra brotam as nascentes que abastecem quase 2 milhões de pessoas na Baixada Santista, no litoral sul de São Paulo. Fora a contaminação da água, as invasões nas encostas colocam sob risco os próprios moradores e a preservação do maior núcleo estadual de mata atlântica, com 315 mil hectares e 373 espécies de aves, 42 em extinção.

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