Governo se compara com EUA em educação, mas sofre críticas

Pela análise do governo, a expectativa de anos na escola chega a 16,3, número superior aos 15,2 usados para cálculo do IDH

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 21h04

BRASÍLIA - Sem esconder a irritação, o governo federal destacou nesta quinta-feira, 24, que a expectativa de anos na escola chega a 16,3 no Brasil, um número mais atual e superior aos 15,2 usados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no relatório do desenvolvimento humano. Pelo discurso do governo, uma criança brasileira que começa a estudar agora ficará em salas de aula o mesmo tempo que um estudante na Alemanha. O indicador nacional estaria à frente do período na Suíça (15,7), no Canadá (15,9), na Suécia (15,8), no Reino Unido (16,2) e no Japão (15,3). 

Ao comentar em Brasília os dados do programa das Nações Unidas, o ministro da Educação, Henrique Paim, afirmou que o Brasil já atingiu um índice de expectativa de anos de estudos elevado, próximo ao dos Estados Unidos, que é de 16,5. Ele destacou o aumento no processo de inclusão de pessoas que estudam no Brasil. “O que ocorreu foi uma grande evolução. Há um esforço no sentido de inclusão e frequência escolar. O Brasil avançou bastante considerando essas informações. Estamos à frente em expectativa de estudo de países como o Chile, que é usado como exemplo por várias pessoas”, afirmou. 

Críticas. Mesmo assim, com dados atuais ou antigos, o indicador de tempo de escola sozinho está longe de ilustrar um bom desempenho de um país na educação. “Em um local de reprovação grande, evasão grande, indicador de anos esperados de escolaridade não quer dizer muita coisa”, afirma o professor Luiz Araújo, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB). “Trabalhar com anos esperados de escolaridade em um país onde você não consegue nem concluir o ensino obrigatório é uma medida que não reflete a realidade.”

Ele lembra que desde a Constituição de 1969 existe a obrigatoriedade de 8 anos de estudos completos. “Levamos 40 anos para conseguir essa média. É mais razoável pensar em anos esperados de escolaridade onde você já estabilizou as matrículas, onde já existe fluxo escolar regular, sem grandes distorções”, ressalta. “Normalmente, trabalhamos com anos concluídos, que mostra o que realmente um brasileiro conseguiu terminar”, completou. 

Luiz Araújo destaca ainda que as escolas do Sudeste e do Sul puxam a média para cima. “Se o brasileiro mora no Nordeste essa média cai e se mora no interior do Nordeste isso cai ainda mais. É uma média que esconde muitas desigualdades.” / COLABORARAM LÍGIA FORMENTI E LEONENCIO NOSSA

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