Governo vai aprofundar intervenção branca na Anac

Setores do governo e do PT chegaram a defender a tese da "mudança geral"

Christiane Samarco , Estadão

25 Julho 2007 | 22h29

Na impossibilidade de se livrar dos cinco diretores da Agência Nacional de Aviação Civil, seguros em suas cadeiras pela lei que lhes confere um mandato no exercício do cargo, o governo decidiu tutelar e aprofundar a intervenção branca na Anac. A tutela será exercida via Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), que ganhará reforço com a presença de pelo menos meia dúzia de ministros encarregados de ditar a política para o setor aéreo que a Anac será obrigada a seguir.   "O time da Anac é muito ruim, mas vamos enquadrar todo mundo. A idéia é manter a Anac sob rédea curta, marcando essa diretoria sob pressão", resumiu nesta quarta-feira, 25, ao Estadão um dos ministros que têm participado dos debates, no Planalto, sobre o caos aéreo e a busca por soluções de curto prazo. Além do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, terão voz no Conac os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge; da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Paulo Bernardo, e do Turismo, Marta Suplicy.   O Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea, que foi criado pela Aeronáutica há menos de um ano e tem sede no Rio de Janeiro, também ganhará papel de destaque na nova estrutura que vai gerir o setor. "O governo vai chamar as companhias aéreas, a Anac e a Infraero e transformar este Centro em instância técnica para subsidiar as decisões do Conac", conta o ministro.   "É complicado"   Setores do governo e do PT chegaram a defender a tese da "mudança geral", em que seria negociada a renúncia coletiva da diretoria da Anac. Também foi cogitada a mudança na lei que criou a Anac para permitir a troca da diretoria. Segundo o ministro que acompanha o assunto, porém, em nenhum momento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a demissão dos diretores da Agência.   "Tirar todo mundo de lá é complicado. O jeito é a gente definir a política e obrigar a Anac a cumprir", resigna-se outro colaborador de Lula. A preocupação do governo, neste caso, era manter intactas as regras que regulam o setor para não gerar a instabilidade que sempre afugenta investidores. Afinal, o governo não quer comprometer seus planos de abrir o capital da Infraero ao investimento privado.

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