Governo vai fazer o que for preciso para ajudar SC, diz Lula

'Não tem partido político, não tem time de futebol, não tem religião. São todos para ajudar Santa Catarina'

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2008 | 16h23

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu nesta sexta-feira, 12, em Blumenau, na região do Vale do Itajaí (SC), a cerca de 150 quilômetros de Florianópolis, que o governo federal, o estadual e os prefeitos "farão tudo o que tiver que ser feito para recuperar Santa Catarina". Ele sobrevoou durante a tarde vários municípios atingidos pelas enchentes e desmoronamentos, que deixaram 126 mortos e 27 desaparecidos oficialmente. "Temos que trabalhar 24 horas para ajudar a fazer Santa Catarina voltar a ser o que era", acentuou.  Veja também:Saiba como ajudar as vítimas das chuvas IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina Blog: envie seu relato sobre as chuvas Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas    Durante visita a um dos 36 abrigos oficiais que continuam a reunir 2.591 pessoas em Blumenau, Lula disse, em um discurso emocionado, que também já passou pela mesma situação por causa de enchentes. "Não é coisa boa, é melhor estar na casa da gente", afirmou. "Mas também não é possível fazer casa num dia." Ele afirmou que as defesas civis nacional e de Santa Catarina farão um levantamento de tudo o que foi destruído tanto na cidade quanto no campo. "Vamos atender a todos porque todos são brasileiros e merecem ser tratados com carinho", prometeu.  "Vamos ter que fazer com tranqüilidade, sabendo da pressa porque não podemos ficar com as crianças muito tempo fora da escola e nem com as escolas não funcionando", disse. "Vamos pedir a Deus que dê um pouco de água para o Nordeste e pare de chover um pouco aqui em Santa Catarina para a gente poder reforçar a recuperação."  Durante a visita, que durou aproximadamente meia hora, o presidente abraçou e confortou cerca de 250 desabrigados de 63 famílias que ali estão, além de tirar fotos e dar autógrafos, normalmente com uma expressão séria e poucos sorrisos. Ele estava acompanhado, entre outras autoridades, da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, do ministro da Integração Nacional, Gedel Vieira, do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Segundo ele, haverá um esforço também para recuperar as rodovias, visto que Santa Catarina tem bons atrativos turísticos no fim de ano.  Às famílias que ainda não puderam voltar para as casas, Lula pediu que mantenham a esperança e garantiu que as autoridades estão unidas para fazer o que for preciso. "Nessa hora não tem partido político, não tem time de futebol, não tem religião, estamos todos para ajudar o povo de Santa Catarina", afirmou, recebendo muitos aplausos. "Poderemos fazer da solidariedade uma coisa muito mais alegre que a tristeza." O presidente ressaltou que a imagem que teve ontem ao sobrevoar as cidades foi "muito melhor" que aquela mostrada pelas televisões nos últimos 30 dias. "Está razoavelmente seco, mas vi muito desmoronamento em lugares totalmente florestados", destacou. "Ou seja, a lógica do desmatamento (ser responsável pela queda de encostas) não é 100%." Ele disse já ter feito reunião com o Conselho sobre Mudança Climática e pedido ao presidente, José Pinguelli Rosa, que uma equipe de especialistas estude o que aconteceu em Santa Catarina.  "Que nós possamos fazer alguma coisa para barrar um pouco as águas dos rios que passam nessa região, e, quando chover muito, conseguir segurar um pouco de água", afirmou. "O que não pode é a gente não dar uma certeza para o povo de Santa Catarina que agora todo ano, quando começar a garoar, todo mundo vai ficar com medo, vai ficar sem dormir."  Foto Logo ao entrar no ginásio de esportes da Escola Básica Vidal Ramos, onde desabrigados das enchentes e desmoronamentos de Blumenau (SC) o aguardavam na tarde desta sexta-feira,12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percebeu que a emoção seria a tônica de sua visita. Verginia Pereira da Silva entregou-lhe um quadro com a fotografia de sua filha, Luana Sofia Egler, de pouco mais de três anos. Segundo a mãe, foi a primeira criança a morrer na tragédia que já deixou 126 mortos em todo o Estado de Santa Catarina. A casa dela foi destruída por volta das 15 horas do dia 22 de novembro. "Quando uma mulher entrega para a gente a fotografia de sua filha de três anos que morreu soterrada, a gente não tem nem palavras para dizer a ela", confessou mais tarde o presidente. O abraço foi emocionado, a mãe não conteve as lágrimas e Lula também quase desabou. "A morte tem essa coisa, dependendo de como acontece a gente não sabe o que falar: meus sentimentos, meus pêsames. A única coisa que pude dizer a ela é que tenha muitas forças porque tem mais dois filhos e ela precisa dedicar a força com que criava três para criar os dois que ela tem", afirmou Lula, novamente emocionado. Na casa do Bairro Garcia, um dos mais próximos ao centro de Blumenau, moravam nove pessoas: os pais e três irmãos de Vergínia, além dela e os três filhos: Luana, Juan, de 7 anos, e Rafael, de 5 anos. No momento do desabamento, estavam na casa a avô e as três crianças. O morro veio abaixo e carregou uma malharia com todo o maquinário que se esparramou juntamente com o barro sobre a casa da família. O quarto onde Luana dormia foi o primeiro a ser atingido e ela não teve chances de se salvar. As outras pessoas, embora também cobertas de lama, foram socorridas por vizinhos. A malharia que a família possuía e todos os móveis e utensílios da casa ficaram inutilizados. "Sobraram somente dor, desespero e saudade", lamentou Eribelci Pereira da Silva, pai de Vergínia. Eles não estão mais em abrigo, onde passaram os primeiros dias antes de se mudarem para a casa de um parente, de onde gostariam de sair logo. Por isso, aproveitaram o encontro com o presidente da República e lhe pediram uma casa. "Eu quero um lar", suplicou Verginia. Lula ressaltou ter recebido o pedido. "Vamos ter que ver todas as pessoas que perderam as casas para que a gente possa ajudar a reconstruir", disse. Foi o suficiente para Verginia. "Já me confortou, pelo menos na esperança de uma casa", afirmou. "Mas também há conforto ao dividir a dor." Ela disse que levou o quadro para que o presidente conhecesse sua filha sorrindo. "Ele viu a dor de perder minha princesa, perder um filho é a maior dor do mundo, porque a gente sabe que não tem mais volta", lamentou. "Eu olho os outros dois na hora do almoço, nas brincadeiras, e cadê ela?" No abrigo visitado por Lula, onde há 249 pessoas, muitas delas crianças, um quadro foi colocado com mensagens de crianças da Escola Estadual Afonso Pena, de Frederico Westphalen (RS). "Tentem ter um Feliz Natal", escreveu Isadora, de 11 anos. Ampliada às 19h28

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.