Governo vai monitorar teste de bloqueadores de veículos

Em dois meses, ministério começa a avaliar o equipamento em carro, moto e caminhão

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2009 | 00h00

Em menos de dois meses, será deflagrada uma "operação assistida" do dispositivo antifurto nos veículos de todo o País, anunciou o Ministério das Cidades. O bloqueador, que promete ser ferramenta para coibir o roubo e furto de carros - crimes em alta no Estado de São Paulo -, passará por um período de testes monitorados pelo governo antes de virar aparelho obrigatório na frota brasileira, como determina a resolução de trânsito aprovada no fim de 2008 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). "A partir de 1º de agosto, já está certo que parte dos carros, motos e caminhões sairá de fábrica já com o dispositivo", afirmou o ministro das Cidades, Márcio Fortes. "Estive reunido há duas semanas com as entidades que representam as montadoras e ficou acertado que vamos iniciar um projeto de operação assistida em um porcentual desses veículos para direcionar a implantação em toda frota nacional", completou o ministro. O aumento da frota com dispositivo antifurto será progressivo. Fortes disse acreditar que até metade de 2010, 100% dos veículos novos já contarão com o produto. A aposta do ministério é que o aparelho ajude a reduzir a criminalidade, uma vez que, quando acionado remotamente, bloqueia o veículo. Em São Paulo, apenas nos primeiros 90 dias do ano, oito automóveis, motos ou caminhões foram roubados por hora. A frota furtada (em que não há contato entre ladrão e vítima) responde por uma média de 60 veículos por hora. O total de roubos (19.253) e de furtos (130.711) no primeiro trimestre representa aumento de 9,28% e 25,78%, respectivamente, comparado com o mesmo período de 2008, mostram dados da Secretaria de Segurança Pública. Segundo Fortes, o período de testes do bloqueador foi acordado com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas) e com o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores). No início das discussões sobre a implantação do equipamento, muitas montadoras foram contra a medida por considerar o prazo para adaptação curto, além da preocupação com o maior custo dos veículos (a peça custa cerca de R$ 1 mil). A reportagem tentou contato com as três entidades no fim da tarde de ontem e todas afirmaram não ter tempo hábil para comentar o período de testes do dispositivo.TESTE DIFERENTEOs testes que começam em agosto terão, ao menos, uma diferença da proposta inicial da adoção do equipamento. Por ora, só será testada a função de bloquear o carro em caso de roubo e não o rastreamento (que também deve ser obrigatório, segundo a resolução de 2008). Uma liminar derrubou em abril a necessidade do rastreador. A decisão justificou que o aparelho viola a privacidade do motorista e institui a venda casada de dois equipamentos - o rastreador e o bloqueador. Fortes informou que recorre. Ele alega que a proposta do rastreador é funcionar aos moldes do sigilo bancário e telefônico. Mas, por enquanto, só o bloqueador será testado.

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