Governo vai ''para cima'' de corruptos, diz Carvalho

Em encontro com petistas, ministro nega que presidente Dilma esteja promovendo ''caça às bruxas'', mas ressalta que haverá cobranças por erros

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2011 | 00h00

Em encontro com petistas, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que não há "clima de caça às bruxas" no governo, "mas um clima de ir pra cima, de cobrar sempre que houver algum tipo de erro".

A declaração foi feita após o surgimento, no fim de semana, de novas denúncias de irregularidades envolvendo os ministérios das Cidades e da Agricultura. Reportagens das revistas Isto É e Veja relataram supostos pagamentos irregulares nas pastas em troca de propinas. Os casos serão avaliados hoje pela presidente Dilma Rousseff na reunião de coordenação política do governo.

Carvalho participou do encontro das correntes que detêm a maioria dos cargos no Diretório Nacional do PT, em São Paulo, que terminou sem acordo sobre a proposta de restrição da realização de prévias internas para a escolha dos candidatos do partido em futuras eleições.

As prévias eram um dos principais temas da reunião da chapa que engloba as correntes Construindo um Novo Brasil (CNB) - a maior do partido, conhecida como Campo Majoritário até o escândalo do mensalão -, Novos Rumos e PT de Luta e de Massas.

O ministro, que nesta semana afirmou ao Estado que a realização de prévias seria um "desastre", recomendou cautela ao PT nas eleições. "Não podemos pôr os projetos pessoais acima dos coletivos", insistiu ele. "Há muitas disputas artificiais, que só nos causam desgaste e dão munição aos adversários."

Carvalho se referia a petistas que colocam seus nomes como pré-candidatos apenas para negociar espaços de poder. A mesma crítica foi feita pelo ex-ministro José Dirceu, que se disse favorável a "disciplinar as prévias" para "evitar abusos".

O ministro contou ter discutido a imagem da presidente Dilma entre os petistas. "Tentei dissolver algumas imagens que vão se formando, de uma presidenta que não dialoga com o partido ou que tem mais dificuldade do que o Lula de dialogar com os movimentos sociais", disse. "O Rui Falcão (presidente do PT) tem conversado com ela mais do que outros presidentes do partido conversavam com o Lula." Carvalho criticou ainda a postura do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que na semana passada declarou ao jornal Folha de S. Paulo ter votado em José Serra (PSDB) para presidente. "No contexto em que se deu foi uma declaração que eu chamaria de desnecessária. Não sei quais as razões que o levaram a dizer isso nesse momento."

Na falta de acordo sobre prévias, nenhum documento foi elaborado pelos petistas para ser levado ao congresso nacional do partido, em setembro.

Entre as propostas restritivas pensadas pelo grupo encabeçado pelo deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) está a necessidade de que o pré-candidato tenha apoio de 30% dos delegados ou 20% dos filiados, o dobro do exigido hoje. É a proposição que encontra maior resistência no partido.

"A proposta, do jeito que está, acaba com as prévias", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), pré-candidato a prefeito nas eleições de 2012 em São Paulo. Para ele, na capital paulista essa exigência equivaleria a 24 mil assinaturas e, no Estado, a 50 mil. "O PSDB quer discutir como fazer prévia e nós, como acabar com elas?", provocou.

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