Graça no início, choro no final

Já houve 27 solenidades de posse de ministros, mas discursos têm praticamente o mesmo script

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2011 | 00h00

Festa de posse em Brasília é como batizado ou casamento: tem criança, mulheres em pretinho básico, chororô e até os arrozes de festa. Entre domingo e ontem houve 27 posses de ministros, cujo script foi o mesmo, variando aqui e acolá os figurantes.

Personagens pouco conhecidos na capital e os velhos políticos de sempre se encontraram nos auditórios abafados. Nos discursos, o mesmo ritual: alguma gracinha para descontrair e muito choro na hora dos agradecimentos.

O que dizer do ministro que reconheceu não ter o currículo adequado para o "abacaxi" que recebia? Foi Garibaldi Alves, do PMDB, novo titular da Previdência. E de seu antecessor e agora secretário executivo, Carlos Eduardo Gabas, que batizou a dupla formada com o novo chefe de "Gagá"? Do lado de fora, o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) percebeu que se dirigia para a solenidade errada e depressa passou do prédio do Ministério da Previdência para o da Saúde, onde o petista Alexandre Padilha recebia o cargo.

O sucessor de José Temporão fez a plateia passar do riso ao choro no discurso de uma hora. Homenageou a mãe, Léa, homeopata e acupunturista, militante da Ação Popular (AP) na resistência à ditadura. Padilha citou o pai, a madrasta, a tia e a namorada, Mila.

Olhares gerais para a jovem.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, levou os convidados às lágrimas ao se dirigir à ex-mulher, Sandra Jardim: "Você esteve ao meu lado nos momentos bons e ruins. Agora, como amiga, não tem sido diferente." A essa altura, choravam o ministro, a própria Sandra e a filha do ex-casal, Mayra. Tudo observado pela namorada de Cardozo, a jornalista Sofia Krause, em outro canto do auditório.

Com um discurso de combate à corrupção, Cardozo ouviu aplausos de velhos personagens da política envolvidos em denúncias, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e o ex-presidente, hoje senador, Fernando Collor (PTB-AL).

Incansável, a dupla pulou de uma posse a outra, sem distinção de ministério ou de partido. Sinal dos tempos e das alianças: em uma das muitas solenidades, Collor estava logo atrás do senador eleito Lindberg Farias (PT-RJ), líder do movimento por seu impeachment. Teve até tapinha nas costas.

Na noite de segunda-feira, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, assumiu o cargo com festa. Só faltou o irmão mais famoso, Chico Buarque. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), cheio de gás, caiu no samba. Garibaldi Alves cochilou na plateia. "É uma maratona", justificou o titular do Ministério do Abacaxi. / COLABORARAM MARCELO DE MORAES, RAFAEL MORAES MOURA E LISANDRA PARAGUASSÚ

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