Divugação/STF
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Grace e ex-ministro do STF dizem que assassinato de Marielle é ataque à democracia

Para a ministra da Advocacia-geral da União, o assassinato reforça a necessidade de intervenção na segurança do Rio de Janeiro e o único alento agora é punir os responsáveis pelo crime

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 13h06

BRASÍLIA - A ministra da Advocacia-geral da União, Grace Mendonça, e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto classificaram nesta terça-feira, 20, o assassinato da vereadora Marielle Franco como um "ataque à democracia". "É um ataque à democracia, às instituições e é por isso que o Estado e as instituições precisam trabalhar intensamente para ter resposta rápida", afirmou a ministra da AGU. 

Para Grace, o assassinato reforça a necessidade de intervenção na segurança do Rio de Janeiro e o único alento agora é punir os responsáveis pelo crime. "As instituições estão envolvidas para trazer para sociedade uma resposta rápida", ressaltou. Ela participou nesta manhã de um evento promovido pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), em Brasília. 

Ayres Britto, que também foi um dos convidados do evento, classificou a morte da vereadora como uma cena "dantesca e aberrante". "O assassinato da vereadora Marielle (foi) resultado de uma execução, de um planejamento de um assassinato na perspectiva de golpe à ordem constitucional e ao estado democrático", avaliou.

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O ex-ministro do STF disse que hoje todos os temas delicados da vida se encontram em discussão e que não será por meio do abuso que será proibida a liberdade de expressão. "Essa lástima, essa desgraça, essa ignomínia, que foi o assassinato de uma vereadora, de uma mulher, pobre, negra, oriunda de comunidade da favela e com toda lucidez e coragem fazia denúncias contra disfunções sistêmicas no âmbito da Polícia Militar do Rio de Janeiro", afirmou.

Britto, que fez sua palestra acompanhado de um exemplar da Constituição brasileira, disse ainda que a sociedade não se interessa suficientemente pela Constituição. "Sem ofender tradições religiosas, se devotassem ao credo da democracia o mesmo empenho e interesse dos credos religiosos estaríamos em situação de muito mais cristalização institucional", destacou. "Democracia não se vence por nocaute, mas vence por pontos, desde que a democracia bata mais do que apanhe. E estamos batendo mais juridicamente do que apanhando", completou. 

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Intervenção. Ao defender a intervenção no Rio, a ministra da AGU disse também que é preciso dar o tempo necessário para o interventor general Walter Braga Netto trabalhar. "não se pode querer uma resposta pronta, imediata, de uma violência que vem se alastrando ao longo do tempo", ponderou Grace, destacando que a intervenção é uma "ação do estado com respaldo da Constituição". 

Grace afirmou ver como natural a redução de apoio da sociedade à medida após a morte da vereadora. "É preciso ter serenidade", disse a ministra ressaltando que compreende que a sociedade fique "resignada" diante de um fato "desta magnitude".

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