THIAGO GOMES/AGÊNCIA PARÁ
THIAGO GOMES/AGÊNCIA PARÁ

Grande Belém registra 20 mortes após assassinato de policial militar

Série de homicídios ocorreu entre a tarde de domingo e o início da noite desta segunda-feira depois que a cabo Maria de Fátima foi morta com três tiros

Roberta Paraense, Especial para o Estado 

30 Abril 2018 | 23h04

BELÉM - A região da Grande Belém, no Pará, registrou uma série de execuções após o assassinato de uma policial militar no domingo, 29. Informações da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML) dão conta de que 20 pessoas foram assassinadas em pouco de mais de 24 horas até o início da noite desta segunda-feira, 30. Entre os casos há uma chacina com três mortos, um deles um adolescente de 13 anos.

A cabo Maria de Fátima Santos, de 49 anos, foi executada com três tiros em sua casa na tarde de domingo. Segundo a polícia, um grupo armado com ao menos quatro bandidos invadiu a residência da PM, que estava na corporação havia 21 anos, e efetuou vários disparos. A perícia apontou que Maria morreu com dois tiros na cabeça e um no peito, na cozinha.

A policial já havia recebido ameaçadas e chegou a registrar um boletim de ocorrência na Seccional do Paar, em Ananindeua. A primeira queixa foi feita há um ano, depois que sua casa foi invadida. Ela não estava no local na ocasião.

Por causa das ameaças, a PM fazia parte, desde o dia 2 de abril, de um programa da própria polícia que oferece medidas protetivas aos militares vítimas de intimidação. Ela passou a fazer o trajeto entre sua casa e o batalhão escoltada por viaturas da corporação. A cabo morava com uma senhora de 85 anos. No local do crime, na periferia, a vizinhança mantém a lei do silêncio. Ninguém viu ou ouviu nada. 

Do assassinato de Maria até a meio-noite de domingo, ao menos dez pessoas foram mortas na Grande Belém. Na sequência, das 10 horas desta segunda até até o início da noite, o Instituto Médico Legal (IML) atendeu a mais dez chamados de vítimas de homicídio, resultando nas 20 mortes.

Os casos foram registrados nos bairros do Guamá, Curuçambá, Cidade Nova 4, Mangueirão, Sacramenta, Outeiro e Tapanã. Nesta última localidade houve uma chacina com três mortes. Todos os crimes tiveram, segundo a polícia, características de execução e os criminosos chegaram de motos ou em carros. No bairro Terra Firme, um grupo abriu fogo em uma casa, matando uma mulher e um adolescente de 13 anos. Outras três pessoas ficaram feridas.

Com a morte da cabo  Maria de Fátima, subiu para 21 o número de PMs mortos apenas nos quatro primeiros meses deste ano no Pará. Também morreram um policial civil e dois guardas municipais. Em todo o ano passado, 35 policiais foram executados. Além dos PMs assassinatos, outros 19 agentes foram baleados neste ano. 

A Associação dos Cabos e Praças da Polícia Militar do Pará lamentou a morte da cabo e apontou falhas na segurança pública. 

“É fato que o crime tem se organizado, e os bandidos estão a cada dia se especializando, para acabar com a polícia”, 

disse o diretor de relações públicas da associação, Francisco Xavier. “Nós estamos avisando à cúpula da segurança pública e não dão ouvidos. Precisamos reconhecer que temos, sim, de aceitar a ajuda da força nacional no Pará."

 O comando da Polícia Militar divulgou à imprensa uma nota de pesar “lamentando profundamente a morte da policial”. A Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) afirmou que as mortes dos policiais estão relacionadas a uma reação do crime organizado contra as ações do Estado.

A cúpula da segurança pública do Pará, entre eles o secretário Luiz Fernandes, se reuniu com o governador Simão Jatene (PSDB) para traçar medidas para o enfrentamento da criminalidade. “Nós consideramos que toda morte de policial, além de um crime contra a vida humana, é uma agressão direta ao Estado, e não vamos medir esforços nesse combate, tampouco nas prisões dos responsáveis e nas medidas de proteção aos nossos policiais", afirmou o secretário. “Não vamos tolerar essa afronta aos nossos policiais ao Estado e à tranquilidade e paz da população”, completou.

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