Grande Rio entra na avenida com carros alegóricos censurados

Apesar de a Justiça ter liberado na última hora os polêmicos carros alegóricos com cenas de sexo da Grande Rio, o público não pôde ver as reproduções de posições sexuais inspiradas no Kama Sutra nem a relação sexual de Adão e Eva. A direção da escola, cujo enredo era a importância da camisinha, decidiu cobrir os carros. Sobre o plástico preto, a inscrição "censurado". "Fico magoado porque o mundo inteiro vai saber que o Brasil censurou uma obra de arte milenar", disse o carnavalesco Joãosinho Trinta. Como em todos os anos, a escola de Caxias apresentou um desfile muito luxuoso e recheado de celebridades. Gente como as atrizes Cristiane Torloni, Suzana Vieira, Beth Lago, Daniela Escobar, o marido dela, o diretor Jayme Monjardim, os atores Miguel Falabela, Raul Gazzola, a apresentadora Luciana Gimenez e sua mãe, a atriz Vera Gimenez, o tenista Fernando Meligeni e o pugilista Acelino "Popó" Freitas. Tanto luxo, no entanto, chegou a atrapalhar. A fantasia das baianas perdeu um dos adereços porque as integrantes da ala não agüentavam o peso da roupa. Uma delas precisou ser amparada. A atriz Déborah Secco estreou como rainha da bateria. Estava muito emocionada antes do desfile e chegou a brincar com sua personagem na novela Celebridades. "Se fosse a Darlene no meu lugar ela desmaiava. Nem chegava a desfilar, de tanta emoção". Déborah fez evoluções com fitas brancas, mas não mostrou samba no pé. Na concentração, houve um improviso na fantasia da rainha da bateria. Não era possível prender o esplendor. O presidente de honra da escola, Jaider Soares, deu ordem para que um diretor tirasse os cadarços do tênis, que foram usados para amarrar a fantasia.Apesar de os carros Portal do Kama Sutra e Kama Sutra terem sido censurados, Joãosinho Trinta não deixou de polemizar no desfile. Na comissão de frente, casais se beijavam na boca de verdade. Trocavam de parceiros, formando casais gays ? mas estes apenas simularam os beijos. No carro GLS, destaques representavam sexo grupal e entre casais homossexuais.No fim do desfile, a escola precisou correr muito para não estourar os 80 minutos regulamentares. Joãosinho Trinta, muito cansado, precisou ser amparado até a Praça da Apoteose. Numa cena comovente, pessoas que assistiam aos desfiles das cadeiras tocavam o carnavalesco e o aplaudiam. "O público sempre emociona a gente", disse o carnavalesco, com lágrimas nos olhos.Leia abaixo a cobertura dos desfiles no Rio de Janeiro 1º DIA   História e tecnologia marcam o desfile do Salgueiro    Unidos da Tijuca festeja a criatividade dos cientistas    Caprichosos homenageia Xuxa, mas não empolga    São Clemente abre desfile com críticas políticas e sociais 

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