Grande SP rejeita o serviço de mototáxi

Nenhuma cidade com mais de 200 mil habitantes dará aval ao serviço

Diego Zanchetta e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

04 Agosto 2009 | 00h00

Os principais municípios da Região Metropolitana de São Paulo, com destaque para a capital, pretendem vetar propostas de regulamentação de mototáxi ou não têm projetos sobre o assunto. Segundo a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caberá às prefeituras decidir sobre a regulamentação. Nenhuma das cidades vizinhas da capital com mais de 200 mil habitantes tem projeto sobre o tema. Guarulhos, Osasco, Mauá, Carapicuíba, Mogi das Cruzes, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Barueri anteciparam a posição contrária ao serviço e devem vetar qualquer regulamentação feita via Câmaras - o mesmo foi adiantado ontem pela Prefeitura de São Paulo. Outros municípios, como Santo André e Caieiras, também são contrários, mas não descartam realizar estudos sobre a implementação do transporte. Até o momento, apenas Ferraz dos Vasconcelos, com 171 mil habitantes, tem projeto em elaboração na Secretaria Municipal de Governo. São Bernardo do Campo também não tem posição oficial a respeito da possibilidade de ter o serviço. Na capital paulista, contudo, a possibilidade de regulamentação chegou a dividir opiniões dentro do governo do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e entre os especialistas e técnicos em trânsito. Empresas de entregas por motoboy também se preparavam para expandir os serviços, se a proposta fosse regulamentada pelo menos para as regiões periféricas - como consta em alguns projetos na Câmara. "É mais lucrativo e por isso motoboys bons e mais experientes devem migrar", acredita o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas (Sindimoto), Aldemir Martins. A legalidade desse projeto passou a ser debatida ontem na Comissão de Transportes do Legislativo. VETO Duas das maiores cidades que fazem fronteira com a capital, Guarulhos (1.279.202 habitantes) e Osasco (713.066) vão vetar os mototáxis. Guarulhos argumenta que as ruas estreitas e com muito relevo não são próprias para o serviço. O fato de o município ficar no entroncamento de rodovias como a Dutra e a Fernão Dias também pesa contra, segundo a prefeitura. "Já adiantamos que somos contra e não devemos regulamentar", diz a diretora do Departamento de Transportes de Guarulhos, Maria Lúcia Begalli. Ela acrescenta que ainda não há projetos sobre o tema na Câmara. "Se houver e for aprovado, mas nosso entendimento for contrário, vamos propor o veto." Valdir Roque, presidente da Companhia Municipal de Transporte de Osasco (CMTO), avalia que a "conta" do serviço de mototáxi será repassada ao serviço de saúde pública. "Sou totalmente contra. A contrapartida dessa história pode sobrar para os hospitais." Mesmo municípios com frotas menores adiantam veto. A prefeita de Itapevi, Ruth Banholzer (PT), afirma que o sistema viário da cidade não é apropriado ao serviço. "Sem uma boa fiscalização, essa atividade seria um risco para todos." Embora ainda não tenha projetos e seja contra os mototáxis, o secretário dos Transportes de Itaquaquecetuba, Wander Rodrigues, afirma que prefere a regulamentação a ter de enfrentar mototáxi irregulares. Rodrigues, no entanto, afirma que deve seguir os passos de outros municípios e restringir a atuação desses motoristas.

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