Grande SP tem 1 morte em assalto a cada 3 dias

A cada três dias, uma pessoa morre durante um assalto na capital ou na Grande São Paulo. É o que indicam as estatísticas da polícia relativa ao primeiro trimestre deste ano. Houve 31 casos de latrocínio (roubo seguido de morte)nesse período, ante 19 no ano passado. O número é ainda mais alarmante quando se analisa só a capital: passou-se de 8 para 15 ocorrências - uma a cada seis dias.A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que até maio foram registrados 100 casos em todo o Estado, ante 98 no mesmo período de 2007. A SSP, no entanto, ressaltou que os crimes de latrocínio diminuíram nos últimos 12 anos. Em 1995, havia o registro de um roubo seguido de morte para cada 400 homicídios. Em 2007, essa proporção foi de 1 caso para cada 1.400 assassinatos. O aumento nos casos de latrocínio, porém, preocupa cada vez mais psicólogos e psiquiatras especializados. Na maioria dos casos, a pessoa morre porque tentou reagir ou o bandido era muito inexperiente. São raros os criminosos que "matam por matar". Para o coronel José Vicente Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública e consultor em segurança, o bandido "visa ao bem material". O assaltante, assim como a vítima, espera que o assalto seja o mais breve possível. "Somente 1% dos criminosos são psicopatas e estariam dispostos a agredir."GESTO BRUSCOMas o tenente Pedro Luís de Souza Lopes, do Comando de Policiamento da Capital (CPC), alerta que qualquer gesto brusco da vítima, como pegar uma carteira, pode ser mal interpretado por um ladrão nervoso e desesperado. Na quinta-feira, o ex-jogador de basquete Paulo Augusto Cheidde foi morto durante um assalto, quando chegava de automóvel em sua residência, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A principal hipótese é de que o criminoso se assustou quando o jogador foi pegar a carteira, que estava entre suas pernas, e atirou. A namorada dele não ficou ferida. Os dois bandidos fugiram rapidamente.O oficial do CPC observa que essas mortes geralmente acontecem quando a vítima está no automóvel. "Até um gesto para tirar o cinto pode levar o bandido a usar a arma."

José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

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