Gratz tem prisão preventiva decretada

O Tribunal Regional Federal da 2.ª Região decretou nesta quinta-feira a prisão preventiva do ex-deputado José Carlos Gratz, ex-presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Nove desembargadores votaram a favor e dois foram contra. O empresário Carlos Guilherme Lima, que já está preso, também teve pedido de prisão preventiva decretado. No início da noite desta quinta-feira, ainda sem ter oficialmente recebido o documento, a Polícia Federal já procurava porGratz em Vitória, apesar de ter informações de que ele teria deixado o Estado.A denúncia contra Gratz foi oferecida pelo Ministério Público Federal e estava sob apreciação do TRF da 2.ª Região (Rio e Espírito Santo) desde 17 de janeiro. O ex-deputado é acusado de ter comprado votos de parlamentares para se reeleger presidente da Assembléia Legislativa em2000. Lima, de acordo com a denúncia, teria pago R$ 30 mil a vários deputados para que votassem a favor da reeleição de Gratz.No fim do ano passado, a Justiça cassou o quarto mandato de Gratz, acusado de compra de votos. Lima foi preso pela PF em 12 de dezembro, acusado de lavagem de dinheiro, ocultação de bens, sonegação de impostos e fraudes em licitações públicas, entre outros crimes.Também acusados pelo MP, os deputados Fátima Couzi, Gilson Amaro, Gilson Gomes, José Tasso, Luiz Carlos Moreira, Marcos Gazzani e Sérgio Borges estão afastados de suas funções parlamentares. Eles teriam recebido cheques de Lima, emitidos seis dias depois da eleição de Gratz. Fiscais da Receita Federal rastrearam os cheques, que foramdepositados em contas de deputados, de assessores e de pessoas usadas como ?laranjas?.Na denúncia, o MP afirma que o dinheiro para a compra dos votos dos parlamentares foi fornecido a Lima pela Samarco Mineração SA, empresa que teria vendido R$ 3 milhões em créditos de ICMS à Espírito Santo Centrais Elétricas. Parte desse dinheiro, R$ 1,8 milhão, teriam sido depositados em duas contas de Lima, abertas na corretora Santos Neves.A corretora teria emitido os cheques em nome do empresário, que os teria endossado para o pagamento da propina. Para o relator do processo, desembargador Ney Fonseca, em liberdade, os acusados poderiam obstruir as investigações. Ainda segundo o desembargador, conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça mostravam que Gratz e Lima poderiam fugir do País.

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