Grávida atingida em assalto nega ter planejado tiro na barriga

Segundo gravação apresentada por defesa de assaltante, mulher planejara pedir R$ 150 mil de indenização

13 Setembro 2007 | 14h02

Acusada de ter planejado o assalto a um posto de combustível e ter recebido um tiro na barriga para pedir uma indenização de R$ 150 mil, Patrícia Cabral de Silva prestou depoimento nesta quinta-feira e negou ter participação no crime – que aconteceu em maio deste ano, em Curitiba.   O advogado que defende um assaltante suspeito de ter atirado nela, que estava grávida durante o assalto, em maio, a acusou de ser a mentora do crime. José Carlos Veiga, o defensor de Sidimar Tiago Oliveira, apresentou uma fita em que um dos acusados, Luiz Carlos Cândido, conversa com a suposta funcionária e ela acaba revelando sua participação. A fita foi gravada por sugestão de Veiga.   Na fita, ela diz que o interesse era conseguir uma indenização, enquanto os três assaltantes ficariam com os cerca de R$ 60 mil que estavam no cofre. Eles tinham inclusive "acertado" que o tiro deveria ser dado de raspão, na barriga. Como Oliveira teria esquecido, as imagens gravadas no circuito interno mostram o momento em que ele retorna ao local apenas para fazer esta parte do plano.   Na gravação, Cândido diz que ninguém sabia que ela estava grávida e a suposta Patrícia responde que, se tivesse contado, eles não teriam coragem de dar o tiro. Ela também diz que, no roubo de computadores, esqueceram de levar o principal, que era justamente o que continha a gravação. O delegado de Furtos e Roubos, Rubens Recalcatti, disse que vai investigar esses novos fatos.   Patrícia, que conseguiu levar a gravidez até o final, apesar da bala alojada na barriga, não foi encontrada em casa. Segundo sua irmã, depois que ela soube dessas acusações, viajou com a mãe. A irmã disse que a família não deve se manifestar "até poder se defender desse maluco". Oliveira entregou-se à Justiça na segunda-feira.   Trecho da gravação apresentado por advogado:   Assaltante - O que mais está repercutindo é esse negócio de tiro, que você pediu que desse pra você. Voz de mulher - Ó, escute uma coisa. Não se preocupe.   Assaltante - Não se preocupe?   Voz de mulher - Estou falando pra não se preocupar. Não tem o que se preocupar.   Em outro trecho, os dois falam da razão que teria motivado o disparo. Uma indenização que Patrícia cobraria da loja em que trabalhava.   Assaltante - E a indenização? E a indenização? Você vai ganhar alguma coisa?   Voz de mulher - R$ 150 mil eu vou pedir.   Assaltante - Você vai pedir R$ 150 mil de indenização?   Voz de mulher - (confirmando) A-han.   (Colaborou Solange Spigliatti, do estadao.com.br, e Evandro Fadel, do Estadão)

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