Grávida morre após ser recusada por três maternidades no Rio

A frentista Érica Dutra Soares Gualberto, de 19 anos, morreu logo após o nascimento do filho, na noite de sábado, 7, depois de passar o dia peregrinando por hospitais em busca de atendimento. Em trabalho de parto, ela foi recusada por três maternidades. Ela foi atendida na Pró-Matre, centro do Rio, onde morreu sem ver Gabriel, que nasceu com 3,5 quilos e passa bem. A família ainda não decidiu se vai processar por negligência a prefeitura (responsável por duas das maternidades) e as instituições conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).O drama de Érica começou na manhã de sábado, logo depois do rompimento da bolsa amniótica. Com a mãe, Rosemere Soares Gualberto, e o namorado, o cabeleireiro Roberto da Costa Bezerra, de 19 anos, ela foi ao Hospital Municipal Herculano Pinheiro. Ali, segundo Rosemere, a jovem foi examinada. "Os médicos disseram que ela estava com três centímetros de dilatação, mas disseram que não havia vaga e a encaminharam para a Santa Casa de Misericórdia", disse.Com fortes dores, Érica percorreu cerca de 25 quilômetros até o Centro da cidade. "Dessa vez, o médico disse que a pressão dela estava alta, 16 por 10, e que o parto seria de risco e nos mandou para o Hospital da Praça XV. Mas também não fomos atendidas porque o hospital está em obras. Somente na Pró-Matre minha filha foi internada."Rosemere contou que deixou a filha na maternidade por volta das 16 horas. Quando voltou, à noite, foi informada que a jovem havia morrido durante a cesariana. "Tenho certeza de que isso não teria acontecido se tivessem atendido minha filha logo. A bolsa dela rompeu às 6h30. Era minha única filha", disse a dona de casa.Érica foi enterrada nesta segunda-feira, no começo da tarde, no Cemitério de Irajá. Os avós maternos devem criar Gabriel. "Ela estava feliz com a gravidez, o enxoval todo comprado. Vamos conversar com o pai, mas devemos ficar com o menino", disse Rosemere.A Pró-Matre divulgou nota à imprensa, informando que a equipe que operou Érica estava completa e os médicos solicitaram que o corpo da jovem fosse necropsiado para esclarecer a causa da morte. Também em nota, a prefeitura informou que os médicos orientaram a jovem a voltar ao Hospital Herculano Pinheiro quando a bolsa amniótica se rompesse, o que, segundo Rosemere, já havia acontecido. Não há registro da passagem da jovem pelo Hospital da Praça XV.O Estado entrou em contato com a Santa Casa de Misericórdia, mas nem o responsável pelo hospital, identificado como doutor Artur, nem o diretor-médico, doutor Jorge Alberto, retornaram as ligações da reportagem.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2006 | 19h50

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