Graziano acusa Espanha de traição na FAO

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2011 | 00h00

José Graziano, candidato do Brasil para a direção da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), ataca a Espanha por ter apresentado candidato próprio para ocupar a chefia do organismo e denuncia traição. Em entrevista ao jornal El País, Graziano deixou claro que não gostou da atitude de Madri, que prometera apoio ao Brasil e, meses depois, apresentou o ex-chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos como seu candidato.

As eleições ocorrem em junho. Mas, na próxima semana, todos os cinco candidatos que concorrem ao posto apresentarão seus programas de governo aos países da entidade, sediada em Roma. Além de Graziano e Moratinos, há outros três candidatos - um iraquiano, um iraniano e um representante da Indonésia.

Graziano é apresentado pelo jornal como franco favorito e o que teria mais chances de abocanhar votos entre os 133 países pobres da FAO. Graziano é visto como o pai do Fome Zero e garantiu, na entrevista, que tem todo o apoio da América Latina, Caribe e países de língua portuguesa.

Sua experiência o tornaria uma escolha óbvia para o cargo. Mas a entrada em jogo de Moratinos criou incertezas. A Espanha era até 2009 a maior doadora de recursos para a FAO, com 45 milhões, e pretende agora cobrar de volta essa ajuda que deu por anos aos países mais pobres.

Moratinos ainda tem outra vantagem. Como chanceler, manteve contato com o alto escalão de toda a Europa, Oriente Médio, África e ainda pode promover um racha na América Latina. Graziano conta fazer a diferença com seu currículo. "Espero que o resto de países da África, Ásia, Europa e Oceania vote no candidato mais capaz e com experiência demonstrada ao mais alto nivel."

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