Greve afasta visitantes dos pontos turísticos de Salvador

Comerciantes reclamam do baixo movimento, mas alguns dos que visitaram a cidade durante a paralisação dizem ter se sentido seguros.

Paulo Cabral, BBC

11 Fevereiro 2012 | 09h33

A greve da Polícia Militar na Bahia perdeu força na sexta-feira, mas os visitantes ainda não haviam voltado aos pontos turísticos mais tradicionais de Salvador, como o Pelourinho e o Farol da Barra.

"Isso aqui era para estar cheio de gente agora. Assim está parecendo (o movimento dos dias) depois que o acaba o Carnaval", reclamou o vendedor de caldo de cana Edmundo de Jesus, que trabalha no Farol da Barra.

O local é uma importante atração turística de Salvador e ponto de partida de um dos circuitos de blocos da cidade.

As estruturas de metal e madeira em que serão instalados os camarotes estão em plena montagem, mas os turistas que normalmente já estariam por aqui com a proximidade do Carnaval ainda não chegaram.

"Essa greve atrapalhou muito. Caiu 90% o nosso movimento aqui", disse o vendedor de óculos escuros José Raimundo.

Mas o ambulante disse que está confiante de que tudo vai estar em ordem para o Carnaval. "Tem que estar. É importante demais isso para a gente, os policiais sabem."

Assembleia realizada na tarde de sexta manteve a paralisação dos policiais baianos, mas, no mesmo dia, o comandante da PM do Estado, coronel Alfredo Castro, disse que cortará o ponto dos policiais que prosseguirem a greve - ou seja, o comando deixará de entender as faltas como adesão ao movimento grevista.

Segundo ele, 85% dos policiais da região metropolitana de Salvador já voltaram ao trabalho.

Uma nova assembleia deverá rediscutir a continuidade da greve neste sábado.

Abadás

Ao mesmo tempo, o presidente da regional baiana da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Pedro Galvão, disse que a tendência de cancelamentos de reservas e de queda na vendas de abadás - observada nos momentos mais tensos da greve - já estão se revertendo.

"Temos notícias de que as vendas de abadás pela internet já estão sendo retomadas e tenho certeza que vamos reverter essas reservas que foram canceladas", disse.

Entre os pouco turistas passeando e fotografando o Farol da Barra estava o casal paulista Vanessa Andrade e Pedro Alberto, que chegou na quinta-feira para três dias em Salvador e vai embora amanhã.

"Nem vamos ficar para o Carnaval. Viemos ver a greve", brincou Vanessa.

O casal admite que a falta de policiamento nas ruas gerou um clima de insegurança e "um pouco de medo", mas os dois dizem que, de longe, tinham a impressão de uma situação bem pior do que aquela que encontraram.

"A mídia sempre aumenta", disse Pedro Alberto.

Movimento 'fraquíssimo'

A família do gaúcho Rodrigo Cegalla quase desistiu do plano de vir a Salvador por causa da greve. Eles estão passando as férias em um resort ao norte da cidade, mas já pretendiam ter vindo visitar a capital antes. Com a paralisação dos policiais, só no ultimo dia das férias tomaram coragem para conhecer o Pelourinho.

"Com o Exército na rua acho que me senti até mais seguro do que se fosse a polícia. Vamos dizer a nossos amigos que, com medo, ficaram no resort que eles perderam uma grande oportunidade", disse o gaúcho.

Mas são ainda são relativamente poucos os turistas no centro histórico de Salvador. A baiana de acarajé Alaíde - que tem sua banca de comidas típicas no Pelourinho - classificou o movimento de "fraquíssimo".

"Quando está bom chego a vender R$ 200 e hoje (sexta-feira) não cheguei nem a R$ 20", contou.

A baiana diz que fica feliz com as indicações de que a greve está no fim, mas cobra do governo mais policiamento na periferia de Salvador.

"Aqui no Pelourinho, que é turístico, tinha polícia mesmo durante a greve. Agora lá nos bairros, mesmo sem greve não tem polícia pra a gente", reclama. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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