Greve branca causa filas em Cumbica; crise aérea vai até março, diz Jobim

Mobilização de funcionários da Infraero deixa governo e Aeronáutica em alerta para risco de apagão no feriado

Tânia Monteiro e Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

01 de novembro de 2007 | 00h00

A operação padrão de servidores da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), iniciada na manhã de ontem no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, levou o governo e as autoridades aeronáuticas entrarem em alerta para o risco de um novo apagão aéreo. Para se precaver contra uma eventual paralisação dos controladores da torre de Cumbica, o comando da Aeronáutica colocou sargentos e técnicos de sobreaviso para assumir o trabalho na véspera do feriado de Finados. Os transtornos começaram pouco antes de o ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarar que a crise aérea só terminará em março."Se houver paralisação em Guarulhos nós vamos colocar militares na torre de controle", disse o diretor do Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea), brigadeiro Ramon Cardoso. Na terça-feira, diante da ameaça de paralisação, o comando da Aeronáutica convocou uma reunião para definir como poderia ajudar a Infraero a evitar novos tumultos nos aeroportos. "Está todo mundo de sobreaviso", informou Cardoso. "Se eles entrarem em greve, nosso pessoal entra. Mas, em caso de operação padrão, não."Em assembléia, os funcionários decidiram não fazer mais horas extras até que a empresa cumpra uma das cláusulas do acordo trabalhista que previa promoção dos funcionários a partir de outubro. "Esse item equivale a um reajuste de 6,5% nos salário. Agora, a Infraero diz que não tem dinheiro", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos. Os servidores de Cumbica e de Congonhas ameaçam cruzar de vez os braços caso a Infraero não apresente uma proposta até terça-feira.Segundo o sindicato, a partir de hoje os funcionários dos aeroportos de Campinas, Santos Dumont e Galeão, no Rio, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Recife também devem aderir à operação padrão. Servidores de outros terminais ainda vão realizar assembléias nos próximos dias. O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, garantiu ontem que dará a promoção aos funcionários, mas o sindicato manteve o estado de greve.A falta de funcionários teve reflexo nas áreas de embarque de Guarulhos. No Terminal 1, entre 8h30 e 9h40, a fila de passageiros chegou à Asa A, pois havia funcionários para operar apenas dois dos seis aparelhos de raio X. Quem tentava embarcar à noite enfrentava filas que ultrapassam duas asas do aeroporto. "Vamos embarcar às 22h05 para Nova York, e a previsão de espera até o raio X é de uma hora", disse o engenheiro Jacyr Quadros.Jobim, por sua vez, admitiu que até março os passageiros poderão enfrentar problemas, "de conforto, mas não de segurança". Para Jobim, as empresas precisam fazer sua parte em casos de problemas "previsíveis". "Se vamos ter problema tal dia, com fechamento de aeroportos por causa de mau tempo, precisamos montar desde já uma forma de que os passageiros fiquem sabendo."

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