Greve da PF causa transtorno em aeroportos de SP

A paralisação de 24 horas dos funcionários da Polícia Federal foi marcada por tumultos nesta quarta-feira, 18, em todo o País. Em diversos Estados, os policiais realizaram a chamada operação-padrão. A categoria exige o cumprimento do acordo com o governo de recomposição salarial dos servidores da PF. A expectativa do sindicato é de que a adesão à greve seja praticamente total. Por volta das 20 horas, a greve resultava em filas de até três quilômetros nos terminais de embarque dos vôos internacionais no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, segundo informação da Rádio Eldorado. O tempo de espera na fila superava três horas. Segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), em Cumbica, 23 vôos sofreram atrasos superiores a 45 minutos, 14,9% do total, e dez foram cancelados. Os dados são referentes a 154 vôos, programados das 5h30 às 19h50. Durante a tarde, os agentes, que normalmente não demoram mais do que um minuto para verificar passaportes e carteira de identidade dos passageiros disseram que seguiriam à risca todos os procedimentos e normas da atividade. Por isso, a estimativa é de que o tempo gasto por passageiro fosse de 10 a 15 minutos. Passageiros irritados começaram a bater palmas e a gritar "refém" por conta da longa espera. Informados da greve, algumas pessoas chegaram mais cedo ao aeroporto para tentar escapar do caos, mas em vão. Ainda de acordo com a Eldorado, as companhias aéreas alertaram que podem começar a segurar os vôos caso os passageiros enfrentem dificuldades para embarcar. Até as 15h10, de 106 vôos programados em Cumbica, nove sofreram atrasos, 8,5% do total, e seis foram cancelado. No Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulisya, os agentes da PF realizaram a operação-padrão durante uma hora, sendo que, durante os 20 primeiros minutos uma fila de embarque de 200 pessoas já havia se formado. O sindicato da PF distribuía panfletos para passageiros, entre eles Diego Guasques, o ex-BBB "Alemão", que prometeu "ler o panfleto e comentar assim que chegasse ao Rio", seu destino. No panfleto, o sindicato explicava os motivos da paralisação desta quarta. A fila já estava voltando ao normal por volta das 15h30. Segundo Amaury Portugal, presidente do sindicato dos delegados da PF em São Paulo, "a paralisação não foi muito longa para não prejudicar a população, nós queremos mostrar para o governo nossa urbanidade, não causar transtornos, só para fazer o governo sentir nossa reivindicação". De acordo com a Infraero, de 200 vôos programados em Congonhas entre 5h30 e 16 horas, 16 partiram com atrasos superiores a 45 minutos. Ou seja, 8% do total. Apenas um vôo foi cancelado. Serviços Pela manhã, a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na zona oeste da capital paulista, cerca de 120 pessoas esperavam pela abertura dos portões, que deveria ter acontecido às 8 horas. Segundo a assessoria do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal, nem mesmo os serviços de urgência, como retirada de passaportes para viagens marcadas ou em caso de saúde, seriam atendidos. Apesar disso, os servidores continuavam emitindo passaportes apenas em casos de urgência. Há relatos de confusão em diversos postos da Polícia Federal. Em São Paulo, por exemplo, a secretária Mara Kulaif, de 55 anos, relatou que foi expulsa do local por um delegado depois de receber autorização de um funcionário para ser atendida, segundo informações da rádio Jovem PAN. Mara contou que apresentou um atestado médico e tem vôo marcado para quinta-feira, 19, para Barcelona, na Espanha. Após a confusão, ela falou que conseguiu retirar o passaporte. No entanto, garantiu que foi impedida de registrar queixa sobre o incidente com o delegado. De acordo com o próprio presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal no Estado de São Paulo, Amaury Portugal, a secretária de fato foi destratada e ofendida pelo delegado. Rio No Rio, os policiais federais também fizeram greve e prometiam para a partir das 13h30 operação-padrão no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na zona norte, o que pode causar transtornos para os passageiros. Em Alagoas, a greve da PF paralisou parte dos serviços, segundo informações do presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Alagoas (Sinpofal), Jorge Venerando. O presidente afirmou que a adesão à greve no Estado é total. "Apenas a custódia dos presos e o plantão foram mantidos, mas o atendimento ao público, para emissão de passaporte e outros serviços, foram suspensos." Os Policiais Federais de Pernambuco engrossaram o movimento nacional da categoria por aumento salarial. Nesta quarta, apenas 30% do efetivo manteve serviços considerados essenciais como custódia de presos, autuação em flagrante e fiscalização em portos e aeroportos. Grande parte dos grevistas iniciou o dia no pátio interno da sede da Polícia Federal, onde pretendiam ficar até à noite. Informada da paralisação, pouca gente foi até à PF. No Paraná, os policiais federais fizeram uma operação-padrão durante a manhã na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, em Foz do Iguaçu, na região oeste do Estado. Com a fiscalização rígida sobre veículos e pessoas que cruzavam a ponte, a formação de filas foi inevitável. A delegacia permaneceu fechada durante todo o dia, mantendo-se apenas um plantonista. Em Paranaguá, os policiais federais também cruzaram os braços, não realizando as inspeções para autorização de entrada e saída de navios no cais do porto. No entanto, a assessoria do porto informou que não houve mudança na rotina. Não havia nenhum navio programado para atracar. O presidente do sindicato no Paraná, Silvio Renato Fernandes Júnior, disse que somente os serviços considerados essenciais eram prestados em todo o Estado. Algumas pessoas reclamaram, sobretudo pela manhã, ao encontrarem fechada a porta do local de expedição de passaportes em Curitiba. "Não há manifestação sem algum transtorno", ponderou Fernandes. Reivindicações Os policiais federais reivindicam reajuste salarial de 30%, estipulado em acordo firmado em fevereiro de 2006 pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o Grupo das Entidades Representativas de Classe da PF. Nesse documento, o governo se compromete a repor perdas salariais das carreiras por meio de reajuste de 60% dividido em duas parcelas de 30%. A primeira foi quitada em junho. A outra parcela deveria ter sido depositada em dezembro, mas não foi. (Rodrigo Pereira, Ângela Lacerda, Bruno Lousada, Elvis Pereira e Evandro Fadel) Texto ampliado às 22h10 para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

18 Abril 2007 | 14h30

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