Greve da PM atrasa a volta às aulas na rede particular de ensino da Bahia

Recomendação foi dada por sindicato que representa 450 instituições; em 5 dias, houve 84 mortes apenas na região metropolitana

Tiago Décimo e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2012 | 21h19

SALVADOR e ITABUNA - A greve parcial da Polícia Militar na Bahia vai atrasar a volta às aulas na rede particular de ensino do Estado. A direção do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe), que representa 450 instituições, emitiu um comunicado recomendando às escolas que não iniciem o ano letivo enquanto durar a paralisação. Por todo o Estado, pais também demonstram medo de mandar as crianças para a escola.

A maior parte dos grandes colégios de Salvador aderiu à recomendação. É o caso das duas mais tradicionais instituições de ensino da cidade, os Colégios Marista e Antônio Vieira, que avisaram seus alunos no fim de semana sobre o adiamento do reinício das aulas. "Foi uma decisão de última hora", diz uma professora do ensino fundamental do Antônio Vieira, que preferiu não ser identificada. "Ainda ontem (sábado), tivemos uma reunião, informando que não haveria alteração no início das aulas. Mas hoje recebi um e-mail comunicando o adiamento. Acho que a pressão dos pais acabou prevalecendo."

"Enquanto eu não tiver certeza que minha filha vai estar segura, ela não vai (à escola)", afirma o engenheiro Almiro Sanches, pai de uma estudante de 9 anos. "Nossa preocupação é com a segurança no trânsito dos alunos", justifica o diretor educacional do Colégio Anchieta, Antonio Bamberg.

Para o governo, porém, não há motivos para adiamentos e a rede estadual vai iniciar o ano letivo amanhã, como planejado. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, PMs não grevistas e integrantes das Forças Armadas que reforçam o policiamento na Bahia vão ser responsáveis pela segurança das escolas.

Apesar dessa garantia, pais e mães sobretudo da região sul do Estado querem esperar a greve acabar. "A professora do meu filho já avisou os vizinhos que não vai dar aula amanhã. Então também não vou levar meus filhos", dizia ontem a dona de casa Jéssica Rosário de Souza, de 29 anos, moradora em Itabuna. As escolas particulares suspenderam o retorno em Ilhéus, Itabuna, Itacaré e em outras cidades vizinhas onde os policiais seguem parados.

Homicídios. Apesar da presença de mais de 1,5 mil militares e integrantes da Força Nacional de Segurança nas principais vias de Salvador e da região metropolitana, os bairros periféricos ainda registram altos índices de violência. Na região metropolitana, houve 18 casos entre as 19 horas de sábado e as 7 horas de ontem - 9 em Salvador. Desde o início da greve, na noite de terça-feira, foram 84 homicídios na região metropolitana, que teve média de 6,1 assassinatos por dia no ano passado. Dos crimes, 57 foram registrados em Salvador - que teve média de 4,2 homicídios diários em 2011.

Durante o dia, novos atos de vandalismo foram registrados na cidade. Duas lojas e dois supermercados foram arrombados e saqueados. No bairro periférico de Arenoso, um ônibus foi metralhado por dois homens. Já o comércio das cidades do sul baiano e as agências bancárias só vão reabrir hoje, sob a escola de 330 homens do Exército que chegaram ontem à região.

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