Greve da PM em Tocantins pode virar movimento nacional

A greve da Polícia Militar do Tocantins, que durou 12 dias e acabou sem o atendimento das reivindicações da categoria, pode causar um movimento nacional, como em 1997, quando diversos Estados seguiram o exemplo da PM de Minas Gerais. O reflexo da greve de Tocantins aconteceu já na primeira semana, quando houve mobilizações pelo País. "Não é impossível que haja um efeito-dominó", afirma o presidente da União Brasileira das Entidades Representativas de Subtenentes e Sargentos da PM, Pedro Rodrigues de Carvalho.Em 1997, depois que PMs mineiros entraram em greve - que resultou, inclusive na morte de um oficial - diversas guarnições em outros Estados seguiram o mesmo caminho. Primeiro foi Alagoas e depois Pernambuco, onde foi necessária a presença do Exército nas ruas para garantir a tranquilidade. Em Alagoas, as Forças Armadas foram designadas pelo Palácio do Planalto para assumirem o comando de todo a segurança pública. A maior parte das associações é contra a realização de uma greve nacional das PMs, mas isso chegou a ser cogitado durante a mobilização ocorrida em Tocantins, quando 800 policiais militares e suas famílias ocuparam um quartel em Palmas. Se a paralisação durasse mais uma semana, grupos em diversos Estados estavam preparados para viajar para Tocantins e prestar solidariedade aos colegas. Hoje há movimentações por melhores salários principalmente em Brasília, Paraná e Paraíba. "Existe a possibilidade de se repetir o que aconteceu em 1997", concorda Pedro Carvalho, um dos negociadores do fim da greve do Tocantins. Ele confirma que muitos Estados estão se mobilizando, tendo como objetivo principal melhores condições de trabalho.Tocantins - Nem o Exército e os PMs tinham intenção de confronto na greve que durou 12 dias em Tocantins. Tanto é que, ao chegar desarmado no 1o. Batalhão da Polícia Militar, o comandante militar do Planalto, general Sérgio Cordeiro, foi aplaudido pelos amotinados e suas famílias. Ele foi o único interlocutor que os grevistas aceitavam para ratificar qualquer tipo de acordo. O general Cordeiro pode ser considerado o responsável pelo fim da greve, já que o governo não quís negociações.Mas a falta de preparo dos dois lados poderia ocasionar um desfecho trágico. E isso quase aconteceu um dia antes de a greve ser encerrada. Um tiro, que ainda não se sabe de onde partiu, causou tensão justamente no momento em que os dois lados estavam na expectativa de confronto. Se não fosse a interferência de um oficial páraquedista, o tiroteiro seria inevitável. Se de um lado os PMs estavam nervosos, do outro não era diferente. Numa conversa entre um recruta e oficiais do Exército, isso ficou patente. O soldado confirmou que estava irritado principalmente com a provocação feita por um grupo de manifestantes favoráveis aos PMs, que estavam próximos ao quartel e em frente à barreira feita pelas tropas federais.Diante disso, oficiais chegaram até mesmo a pensar numa solução inédita para abafar os alto-falantes do carro de som dos manifestantes, que tocavam música sertaneja nos intervalos dos discursos. O Exército chegou a alugar um trio elétrico, com potência superior ao dos adversários, e iria contra-atacar com forró, uma forma de diminuir os efeitos das provocações dos manifestantes nos recrutas.

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