Greve da polícia faz boletins de ocorrência caírem 11% em SP

Análise trimestral pega 14 dias de paralisação, mas já traz distorções

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

01 de novembro de 2008 | 00h00

As estatísticas do terceiro trimestre, divulgadas ontem pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, mostram que foram registrados em todo o Estado 66.320 boletins de ocorrência a menos em comparação com o mesmo período do ano passado. O órgão assinala que a queda de registros, na casa dos 11%, é reflexo da greve da Polícia Civil paulista, deflagrada no dia 16 de setembro e ainda em curso. Os números não apontam necessariamente redução da violência no Estado.   Confira os números divulgados sobre a violência em São PauloA coleta de dados foi realizada nos meses de julho, agosto e setembro, e abrange 14 dias de paralisação da polícia. O período, apesar de curto, foi suficiente para resultar em variações negativas que não correspondem às médias históricas. "Há dados inflacionados pela greve", assinala o coordenador de Planejamento da secretaria, Túlio Kahn.A ocorrência de crimes como lesão corporal, roubos e furtos teve redução atípica, na visão de Kahn. Ele afirma que, por causa da greve, o cidadão paulista não tem estímulo para registrar os boletins, principalmente no interior de São Paulo, que concentrou a maior redução em número de BOs: 14%.As delegacias registraram 46 mil casos de lesão corporal dolosa no Estado no terceiro trimestre de 2007, ante 40 mil entre julho e setembro deste ano. Houve 130 mil furtos, ante 124 mil no mesmo período de 2008, e 55,5 mil roubos, ante 54,1 mil. As variações estão em torno de -7%.A tese de que a redução está diretamente relacionada com a paralisação da Polícia Civil parte do princípio de que o mesmo não ocorre em casos mais graves, como homicídios, estupros, latrocínios e extorsão mediante seqüestro. Não há redução tão significativa no número dessas ocorrências e há casos com aumento considerável, como roubo de cargas. O número de homicídios mantém-se em queda constante no Estado desde 2003. Já a quantidade de estupros, que necessita de denúncia, tarefa nem sempre adotada pelas vítimas, ganhou corpo após a aprovação da Lei Maria da Penha. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, o texto prevê maior rigor nas punições contra agressores domésticos de mulheres. Desde aquele ano, a quantidade de ocorrências mantém leve curva ascendente no Estado.Os casos de latrocínio, no entanto, atingiram o maior índice desde o primeiro trimestre de 2006. Foram registradas 70 ocorrências no Estado, grande parte na zona oeste da capital, incluindo registros de assalto na saída de caixas eletrônicos.De acordo com a secretaria, as variações negativas ressaltadas no relatório devem ser ainda mais fortes no quarto trimestre, que corresponde aos meses de outubro, novembro e dezembro. Com a possível continuidade da greve, também haverá grande dificuldade em estabelecer quadros comparativos no futuro.

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