Greve de agentes deixa clima tenso nos presídios paulistas

O clima de tensão tende a se agravar mais ainda neste fim de semana nos presídios de São Paulo com a decisão dos agentes penitenciários, ligados ao Sindicato do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), de paralisar as visitas aos detentos. O Siuspesp é o maior sindicato da categoria, reunindo 8 mil trabalhadores associados. Os 144 presídios de São Paulo empregam 23 mil agentes penitenciários.A paralisação das atividades é em luto pela morte dos agentes Nilton Celestino, 41 anos, e Gilmar Francisco da Silva, de 40. Celestino foi morto com mais de dez tiros, na segunda-feira, em frente de casa, em Itapecerica da Serra. Silva foi morto, também a tiros quando chegava a sua casa, na quinta-feira, na zona Oeste de São Paulo, mas sua morte não foi confirmada como tendo ligação ao crime organizado. A tensão na verdade começou nesta sexta-feira, quando diretores de presídios da Capital retiraram as faixas de "Luto Oficial" que os agentes fixaram na frente das unidades.Pressão"Estamos enfrentando uma pressão danada por parte da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e de diretores de presídios", denunciou o secretário-geral do Sifuspesp, Antônio Ferreira. Segundo ele, a decisão foi tomada em assembléias na noite quinta-feira e vale para todos os presídios do Estado.O Sifuspesp anunciou que neste sábado e domingo estarão suspensos no sistema prisional do Estado de São Paulo o banho de sol, a entrega de "jumbos" (alimentos e objetos de higiene pessoal trazidos pelas famílias dos detentos) e, principalmente, a entrada de parentes e visitas dos presos. Funcionarão apenas o setor de alimentação e saúde."A deliberação é para não receber as visitas no sábado e domingo. Vamos zelar pela segurança, mas não vamos receber visitas. Se alguém receber é porque estará furando a deliberação", comentou.Diretores de penitenciárias ouvidos disseram temer pelas conseqüências que a greve pode trazer. A expectativa é de que se as visitas forem cortadas, os presos vão se rebelar. "Não podemos dar um ponto desse. É o que eles querem para poder justificar uma quebradeira geral nas unidades", disse o diretor de uma penitenciária.A Secretaria da Administração Penitenciária informou na noite desta sexta-feira que não tinha sido comunicada oficialmente sobre a greve e por isso não tinha tomado nenhuma decisão sobre o assunto."Trabalho há quase 20 anos nas penitenciárias e nunca vi uma situação como essa que estamos vivendo", disse um funcionário que pediu para não ser identificado. Ele falou que vai aderir à paralisação. O agente revelou que apesar de proibido, para garantir sua segurança, anda sempre com um revólver 38.

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