Greve de controladores de vôo causa caos em várias capitais

A greve dos controladores de vôo na noite de sexta-feira causou caos e transtornos aos brasileiros que necessitaram utilizar os aeroportos de diversas capitais do País. No aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, centenas de pessoas estavam retidas e confusas às 23 horas desta sexta-feira. Os passageiros reclamaram das informações contraditórias que receberam. Às 21h30min, todos foram avisados de que os 17 vôos previstos para a noite não decolariam, a maioria por falta das aeronaves que não chegaram de outras cidades do País. No Aeroporto Internacional de Salvador, a noite começou tensa. Tão logo foi dada a informação da greve dos controladores no local, por volta das 20 horas, houve confusão entre as dezenas de pessoas que estavam nas filas de check-in das companhias aéreas - uma briga entre passageiros chegou a ser registrada. Em pouco tempo, todos os 16 vôos da lista de decolagens dos painéis de comunicação do aeroporto (horários entre 18h26 e 22h55) apareceram como "atrasados" ou "previstos". A suspensão das operações de pouso e decolagem no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, gerou revolta entre os passageiros que tentavam embarcar. Filas enormes se formaram nos guichês das companhias Gol e TAM e os usuários se irritaram com a falta de informações. Até as 22h30, pelo menos 40 vôos previstos não decolaram ou pousaram em Confins. Um grupo de usuários reclamou que somente após o check-in foram informados da suspensão do vôo e precisaram buscar as bagagens "jogadas" numa sala da companhia. Apesar dos transtornos, até as 22h30 nenhum incidente mais grave havia sido registrado.No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, os passageiros do vôo 3334, da TAM, que tinham como destino o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, conseguiram decolar. O avião partiu às 21h25, enquanto passageiros de outras linhas tentavam remarcar seus bilhetes. Mas a incerteza era o que mais se via nos rostos. A maioria ficou sabendo da greve de controladores, que não permitia que os vôos chegassem a Curitiba, ao assistir à televisão no saguão do aeroporto. Não houve qualquer tumulto. Se a greve já atrapalhava, depois das 21h40 foi a forte neblina que baixou na pista e não permitiu mais qualquer operação de pouso. Trinta minutos antes os pousos ainda eram possíveis graças ao sistema ILS categoria 2. O cancelamento de vôos no Aeroporto Internacional Tom Jobim acabou em agressão física na noite de sexta-feira. Um passageiro danificou o balcão da Gol e, em seguida, agrediu uma funcionária que o interpelou. Revoltados, outros passageiros contiveram o agressor, que foi jogado ao chão e, depois, deixou o local. Até as 20 horas, apesar de alguns atrasos, o movimento fora relativamente normal nos aeroportos do Rio. Às 19 horas, a Infraero divulgou um balanço parcial. No Aeroporto Santos Dumont, exclusivamente voltado para a ponte aérea Rio-São Paulo, houve atrasos de no máximo uma hora em dez de um total de 60 vôos, entre meio-dia e 18 horas. Durante a noite, aviões continuaram a pousar e decolar, apesar da paralisação de controladores de Brasília. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, foram 39 atrasos em 62 vôos, entre as 8 e as 18 horas. No aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza, todos os vôos da noite foram suspensos. O saguão estava repleto de pessoas desesperadas para viajar. Enquanto isso, as companhias aéreas levavam passageiros para pernoite em hotéis, flats e motéis.Em contraste com o tumulto em outras capitais do país, em Aracaju a situação foi tranqüila. Não havia previsão de saídas de vôos desde o final da tarde, somente de chegada, motivo pelo o movimento foi apenas de parentes e amigos que esperavam os passageiros. O último vôo no aeroporto foi uma escala às 20h00. Um vôo da TAM, proveniente de Curitiba e São Paulo, foi cancelado.

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