Greve de motoristas de ambulância do SAMU em Sergipe deixa 60% dos chamados sem atendimento

Categoria está parcialmente parada há 10 dias; metade das 58 ambulâncias do Estado não está sendo usada

23 Agosto 2012 | 11h51

Atualizada às 13h59

São Paulo, 23 - A greve de motoristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Sergipe está fazendo com que 60% dos chamados deixem de ser atendidos por causa das viaturas paradas. Apenas 29 dos 58 veículos disponíveis em todo Estado estão sendo colocados em serviço, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo a Superintendência do SAMU, as unidades de suporte básico realizaram 846 saídas entre 6 e 12 de agosto, número que caiu para 322 após o início da greve,  entre os dias 13 e 19.

Na manhã de domingo, o gari Josafá Oliveira presenciou a morte de dois irmãos e culpou a demora na chegada das ambulâncias. Os irmãos estavam em um carro que bateu de frente com um caminhão na BR-101, próximo ao município de Maruim (SE). Sobreviveram ao acidente, mas não ao tempo levado para o resgate, disse Oliveira. “No momento que ligamos pra lá (SAMU), eles disseram: não temos carro aqui. Se eles viessem,  esse e esse estariam vivos”, lamentou, apontando para os corpos dos irmãos no chão.

Parados há dez dias, os motoristas afirmam que não recebem reajuste salarial há nove anos. Segundo a Secretaria de Saúde de Sergipe, o reajuste é anual, repondo ao menos a inflação.  A pasta informa que o aumento deste ano nos salários e gratificações já foi concedido e representou ganho real - acima da inflação. De acordo com a secretaria,  os grevistas estão pedindo 300% de aumento, o que é considerado "inviável".

Diante da falta de ambulâncias,  a procuradoria jurídica da Fundação Hospitalar de Saúde informou que tenta na Justiça elevar o  porcentual de veículos usados durante a greve de 50% para 64%.

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