Greve de motoristas foi mandada pelos patrões, diz procuradora

A greve de ônibus desta segunda-feira em São Paulo - que deve continuar nesta terça - foi um locaute, movimento promovido pelos donos das empresas. A afirmação é do Ministério Público do Trabalho, que pediu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) o seqüestro de bens de empresários e das empresas de ônibus, do Sindicato dos Motoristas e de seus líderes e da São Paulo Transporte (SPTrans)."Não tenho dúvida de que a paralisação teve participação dolosa (com intenção) dos empregadores", disse a procuradora regional do Trabalho, Oksana Boldo. Nesta terça-feira, São Paulo deve ter mais um dia de ônibus parados, apesar do TRT ter determinado que 80% da frota de ônibus circule nos horários de pico, e 60% durante o resto do dia - conforme pedido do Ministério Público. O Sindicato dos Motoristas ameaça manter a paralisação.O TRT determinou ainda o pagamento de multa diária de R$ 50 mil, em caso de desobediência.A procuradora afirmou que a paralisação infringiu todas as regras do direito de greve, que é garantido por lei. "Isso não é mais possível. A população não tem nada com isso, mas é ela a maior prejudicada."Oksana quer ainda que empresários e sindicalistas respondam por crimes federais e estaduais e tenham de pagar pelos prejuízos causados. O pedido será apreciado após uma reunião de conciliação, marcada pelo TRT para as 13 horas. "Essa greve não é abusiva. É selvagem."Durante todo o dia, enquanto os passageiros se espremiam em trens, lotações e ônibus clandestinos, patrões e empregados e o secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, ficaram reunidos tentando encontrar uma saída para o impasse que levou à paralisação. Não houve acordo. E a prefeita Marta Suplicy (PT) está de férias, em Paris.De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas, Edivaldo Santiago, só depois da reunião do TRT é que uma assembléia vai decidir se a greve continua ou não. Os empregados reivindicam garantias de que a mudança do sistema de transportes, como pretende a Prefeitura, não provoque demissões e nem cause o não pagamento de passivos trabalhistas de 9 mil funcionários que tiveram seus contratos rescindidos. "A empresa que ganhar tem de pagar o passivo dos trabalhadores", disse Santiago.Tatto, no entanto, afirma que isso é impossível, uma vez que tal exigência não pode ser feita na licitação. Segundo ele, a responsabilidade por férias, FGTS e outras exigências são das empresas que contrataram os funcionários. Para o presidente do Transurb, sindicato que reúne os empresários do setor, Sérgio Pavani, a concorrência é boa para o Município, mas não para os empresários."Ninguém deve assumir obrigação que não pode cumprir", disse Pavani. Tatto afirmou que, em reunião fechada, os empresários pediram a volta do subsídio, contratos de emergência com duração de dois anos - que só venceriam depois de encerrado o mandato da prefeita -, o pagamento das gratuidades do sistema e o cancelamento da licitação. "Essa greve foi articulada pelo Transurb e pelo sindicato, que não querem o novo modelo", acusou Tatto. "Não há atraso de salários ou de vales, então qual sentido da greve?"O próprio secretário respondeu à pergunta com novas acusações. De acordo com ele, os empresários, que classifica como incompetentes, querem manter o modelo atual, o que, afirma Tatto, não interessa mais à Prefeitura. Desde sábado, o sistema de ônibus na cidade opera de maneira informal. Segundo Pavani, os empresários não têm interesse na paralisação, uma vez que, segundo ele, as empresas enfrentam problemas ainda maiores com a greve.O diretor do Transurb, Antonio Sampaio Amaral Filho, estima que as empresas deixam de arrecadar R$ 6 milhões num dia de paralisação. Ele rechaça a acusação de locaute. "Se fosse locaute, não estaríamos aqui e não teríamos passado o fim de semana tentando evitar a greve."Em meio à confusão, a América do Sul entregou à Prefeitura uma carta abrindo mão de suas linhas, pois não vai mais trabalhar no transporte de passageiros de São Paulo.

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