Greve de ônibus em BH se estende para outros municípios

Sindicato reivindica 49% de reajuste nos salários e não aceita proposta oferecida pelo Setra

Marcelo Portela,

12 Março 2012 | 16h16

BELO HORIZONTE - A greve de motoristas e cobradores dos ônibus de Belo Horizonte iniciada à 0h desta segunda-feira (12) se estendeu para outros municípios da região metropolitana da capital, como Betim, Brumadinho e Lagoa Santa, e pode prejudicar os passageiros ainda por um bom tempo devido a um impasse entre trabalhadores e patrões.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH) diz que não aceita a proposta oferecida pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) e que não recebeu novas propostas de negociação, enquanto a entidade patronal afirma que recorrerá à Justiça para tentar suspender a greve.

Os rodoviários reivindicam 49% de reajuste nos salários, 49%, folhas de tíquete-alimentação de R$ 15, a instalação de banheiros femininos nos pontos finais e participação nos lucros e resultados (PLR). O Setra-BH, porém, ofereceram reajuste de 13% o salário dos motoristas e trocadores, com aumento de 20 minutos diários na jornada de trabalho, e de 9% para a manutenção e administração, ou aumento de 6% sem alteração na jornada, além de abono de R$ 150 na participação dos lucros (para quem ganha até R$ 1.000), e R$ 300 para quem recebe acima desse valor.

No início da tarde, a BHTrans, responsável pelo gerenciamento do trânsito e do transporte coletivo na capital, informou que notificou os concessionários e que pode puni-los porque é "obrigação de cada manter reserva técnica suficiente para atender os níveis de serviços e elaborar e implementar esquemas de atendimento emergencial à população". De acordo com o órgão, as estações Vilarinho, Barreiro e Diamante tiveram, respectivamente, 100%, 99% e 95% das viagens previstas descumpridas, enquanto nas estações São Gabriel e Venda Nova cerca de metade das viagens foram realizadas.

O sindicato dos trabalhadores afirma que 30% da frota está em circulação, como exige a lei. Mas a Polícia Militar teve que reforçar o efetivo nas garagens para garantir a circulação de coletivos e prendeu dois trabalhadores que roubaram chaves de ônibus além de outro que estaria apedrejando veículos que estavam nas ruas.

Apenas na capital, uma média de 1,6 milhão de pessoas usam os ônibus diariamente, número que sobe para cerca de 2,1 milhões com passageiros da região metropolitana. Em Belo Horizonte, a frota é composta por 3.010 ônibus que fazem 27.567 viagens diárias, distribuídas por 296 linhas.

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