Greve de ônibus em São Paulo é suspensa

Os motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista suspenderam a greve que estava marcada para esta terça-feira. A decisão foi tomada em uma reunião realizada à tarde na sede do sindicato da categoria, na região central. A suspensão do movimento ocorreu após a divulgação da medida cautelar expedida no fim da tarde pelo presidente da 2ª Região do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Francisco Antonio de Oliveira.Na decisão, o juiz obriga as empresas de ônibus a continuarem fornecendo o vale-refeição para os funcionários, manutenção da data-base da categoria para o dia 1º de maio e a continuidade das negociações sobre a reposição salarial entre patrões e empregados. Se as viações não cumprirem o que foi decidido, estarão sujeitas à multa de R$ 50 mil. O texto não esclarece se o valor é diário.Em contrapartida, os motoristas e cobradores foram obrigados a suspender a paralisação para continuidade das negociações. Os trabalhadores estavam programando uma greve por tempo indeterminado. Haverá uma nova rodada de negociação nesta terça-feira entre a categoria e o sindicato dos donos das empresas de ônibus, o Transurb.Segundo os trabalhadores, o encontro servirá para discussão de todos os pontos, menos o aumento dos salários. De acordo com o presidente do sindicato dos motoristas, Edivaldo Santiago, os donos das empresas alegaram que, neste momento, não há como discutir a questão, por causa da situação econômica enfrentada pelos empresários.O principal motivo para a organização da paralisação foi a ameaça das 52 empresas de suspenderem o vale-refeição, alegando problemas econômicos. "A decisão do juiz foi uma vitória", afirmou o diretor do sindicato Benedito Mariano Neto. Ele disse que a pauta de reivindicações continua a mesma e será levada para a mesa de negociações nas próximas reuniões com o Transurb.São elas: aumento de 9,26% para reposição de perdas salariais, aumento real de 5%, plano de assistência médica gratuita a ser oferecido pelas empresas, aumento do valor do tíquete para R$ 8,00, plano de cargos e salários e programa de participação nos lucros. De acordo com o diretor do sindicato, caso as conversas não avancem, os motoristas e cobradores podem realizar uma nova greve nos próximos dias. "Não queremos atrapalhar o 1º de Maio mas, a partir de quinta-feira, a situação pode se complicar", garantiu Mariano Neto.No fim do dia, o Transurb emitiu uma nota oficial à imprensa com um quadro sobre a situação financeira das empresas do setor. De acordo com o texto, os empresários sofrem uma perda mensal de R$ 101,9 milhões, dos quais R$ 40,5 milhões são por causa das peruas e ônibus clandestinos que circulam pela capital.

Agencia Estado,

29 de abril de 2002 | 21h49

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