Greve de ônibus no Recife tem terminais lotados e 4 ônibus depredados

Outros 20 tiveram pneus furados. População enfrentou filas e atrasos nos coletivos. Negociação está marcada para esta terça

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2014 | 20h17

RECIFE - A greve de motoristas, cobradores e fiscais de ônibus iniciada nesta segunda-feira, 28, no Grande Recife, provocou transtornos para a população, com atrasos e lotação de terminais, e o registro de quatro veículos danificados. Um deles foi queimado no bairro do Barro, zona oeste do Recife. Dezenas tiveram pneus furados. 

Logo no início da manhã, motoristas começaram a parar na PE-15, Complexo Salgadinho, no município vizinho de Olinda - em direção ao Recife - e os passageiros tiveram de seguir a pé. Alguns dos veículos tiveram pneus esvaziados e pelo menos um deles teve janelas quebradas por um passageiro, que foi detido. O trânsito foi bloqueado por algumas horas.

Os passageiros do ônibus queimado foram os responsáveis por atearem o fogo - rapidamente debelado com uso de extintores. Não houve detenções nem feridos. Na Avenida Caxangá e na Avenida Norte, dois dos principais corredores de ônibus da capital, cerca de 20 veículos também tiveram pneus furados por grevistas. 

A greve afeta dois milhões de passageiros. Para evitar distúrbios à noite, o comércio fechou as portas mais cedo, às 17 horas. Por volta das 18 horas, os grevistas impediram passagem de ônibus na Avenida Agamenom Magalhães, que liga a zona sul do Recife a Olinda. Em seguida, liberaram a via.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Grande Recife (Urbana), 66% da frota estava circulando cedo, chegando a 75% no meio da manhã. No final da tarde, eram 57%. Em decisão liminar, o Tribunal Regional do Trabalho da 6. Região determinou, no final de semana, que 100% da frota deveria circular nos horários de pico - 5h30 às 9 horas e das 17 às 20 horas - e 50% nos outros horários. A paralisação foi anunciada no dia 24.

O Sindicato dos Rodoviários denunciou que os empresários impediram, pela manhã, a saída da dos veículos das garagens, ao justificar porque a decisão judicial não foi cumprida. A multa pelo descumprimento é de R$ 100 mil por dia. Os trabalhadores querem 10% de aumento salarial e vale alimentação de R$ 320. Eles não aceitaram proposta patronal de aumento linear de 5% nos salários e no tíquete alimentação, que é de R$ 171. 

Está prevista para a tarde desta terça-feira, 29, reunião para tentativa de negociação entre a classe patronal e a trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho. O Grande Recife tem 3 mil veículos que cobrem 385 linhas, operadas por 18 empresas.

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