Greve de policiais civis gera confusão em frente ao Palácio Guanabara

O Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) foi convocado nesta terça para proteger a entrada do Palácio Guanabara, sede do governo estadual, durante manifestação de agentes penitenciários e policiais civis, em greve desde a segunda-feira. Policiais civis e militares discutiram e houve início de tumulto, só controlado com a intervenção do comandante do 2.º Batalhão da PM, tenente coronel Ricardo Quemento, que ameaçou prender manifestantes. Um PM sacou a arma quando agentes insistiram em manter uma Kombi com alto falantes interditando uma das pistas da Rua Pinheiro Machado, na frente do palácio."Ele disse que a Kombi não vai parar na frente do Palácio, mas vai sim. Se der tiro para cá, vai ter tiro para lá. PM não vai peitar policial civil", afirmou um agente - nenhum deles se identificou. A Kombi parou. Logo depois, o comandante avisou: "Ou tira ou tá preso." Em seguida, policiais e agentes quase se atracaram quando o coronel ameaçou cortar o microfone. "A gente não está aqui para reprimir coisa nenhuma. Só quero que o carro vá para a calçada", afirmou o comandante da PM.O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Guttembergue de Oliveira, bateu boca com o coronel, mas acabou negociando a retirada da Kombi. "Minha arma é a garganta. Manda quem pode, obedece quem tem juízo."Depois, o coronel comentou o episódio: "Não tem embate, os ânimos se exaltaram, é natural." Sobre a presença do Batalhão de Choque, ele declarou: "É o procedimento padrão. Imagina se alguém quisesse invadir? O Palácio tem que estar coberto."Os manifestantes ironizaram programas do governo do Estado como o Cheque-Cidadão, um vale-compras de R$ 100 que é distribuído a famílias consideradas pobres. "Rosinha, ingrata, governa o Estado com o cheque-enganação", cantavam, em coro. Agentes penitenciários simularam uma prisão com detentos que usavam máscaras da governadora Rosinha Matheus e do ex-governador Anthony Garotinho. "Eles usam a PM, que também ganha salário de fome, para nos conter, e humilham até aqueles que precisam da política de um real deles", disse Oliveira.Durante a passeata, foi distribuída uma carta aberta com o título "O governo das 10 mil mentiras", em referência à campanha publicitária que promove supostas 10 mil obras do governo. Uma comissão de sindicalistas seria recebida na Secretaria de Governo, mas até as 18h a reunião não tinha começado.O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, informou no fim da tarde que a greve, iniciada na segunda-feira, estava prevista para durar 48 horas e foi suspensa até a próxima reunião da categoria, na sexta-feira. "Se não houver nenhuma proposta do governo, voltaremos com mais força na segunda-feira. Já há um indicativo de nova greve."

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