Ricardo Araújo/Estadão
Ricardo Araújo/Estadão

Greve de policiais e bombeiros continua no Estado do RN

População lida com denúncias de corrupção no governo e falhas nos pagamentos dos servidores

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 11h00
Atualizado 21 Dezembro 2017 | 16h41

Após 23 meses sem pagamento regular do salário, policiais e bombeiros militares do Estado do Rio Grande do Norte declararam paralisação das atividades na terça-feira, 19. Sem patrulhamento e policiamento, no entanto, saques e roubos de lojas aumentaram e comerciantes e consumidores relatam pânico. Somente entre terça-feira, 19, e quarta, 20, pelo menos 18 veículos foram roubados na Grande Natal. A media diária na região é de 7 registros por madrugada.  

A população relata roubos à mão armada  e saques a lojas supermercadistas, de eletrodoméstico e de autopeças. Também houve três tentativas de explosão a bancos para roubo - movimento considerado atípico. Apesar do temor de novos saques, o comércio voltou a funcionar nesta quinta-feira, 21, às vésperas do Natal, ainda que em horário reduzido.

Até mesmo o padre Valdir Cândido, da Arquidiocese de Natal, sofreu sequestro relâmpago e teve o veículo, dinheiro e documentos pessoais levados pelos bandidos. “Ao final, eles (os criminosos) pediram: reze por nós”, relatou à polícia. A situação de falta de policiamento e aumento da violência se assemelha à ocorrida no Estado do Espírito Santo, em janeiro deste ano

A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio Grande do Norte  (ACSPM/RN) informou que os servidores só voltarão trabalhar se as condições estiverem de acordo com a lei. A paralisação está sendo chamada de Operação Segurança com Segurança.

Nesta quinta-feira, 21, o governador do Estado, Robinson Faria, informou através das redes sociais que conseguiu a liberação de R$ 600 milhões em recursos vindos de Brasília. A expectativa é que o salário referente a novembro seja pago até dia 29 de dezembro.

Quanto ao 13º salário, deve ser entregue no dia 10 de janeiro, no mais tardar.

"Tudo será observado! Se a viatura está em acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, se os coletes balísticos estão dentro da validade, se o motorista da viatura possui o Curso de Condutor de Veículos de Emergência, se o PM está com todos os instrumentos necessários ao trabalho como algema", disse Roberto Campos, presidente da  ACSPM/RN, em nota. A reportagem tentou contato com Campos, ainda sem retorno.

O governo do Estado pediu ajuda à União, e na noite de quarta-feira, o governador Robison Faria participou de reunião com o ministro da Defesa Raul Jungman. Forças armadas federais foram solicitadas para o Estado, e o pedido deve seguir para aprovação do presidente Michel Temer. 

Em novembro deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a abertura de investigação contra o governador do RN por peculato, usura, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele já era denunciado pelo crime de obstrução à Justiça durante investigação por desvio de recursos. 

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