Greve de policiais fecha aeroporto em Maceió por falta de bombeiros

Paralisação deve terminar na quinta-feira; policiais fizeram protesto em frente à Assembleia

Solange Spigliatti, Central de Notícias

11 de maio de 2011 | 15h44

SÃO PAULO - A greve de 48 horas dos policiais militares, iniciada nesta terça-feira e que irá se prolongar até quinta-feira provocou a suspensão das operações de pousos e decolagens do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, nesta quarta-feira, 11.

Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), com a falta dos bombeiros no aeroporto, foi solicitada à torre de controle do aeroporto que expedisse uma nota oficial explicando aos pilotos a irregularidade no aeroporto. Uma resolução internacional estabelece que os pousos e decolagens só podem acontecer com a presença de profissionais dos bombeiros nos aeroportos.

Os pilotos decidiram alternar os voos para aeroportos vizinhos de Pernambuco, Sergipe e Salvador. De acordo com a Infraero, pelo menos oito voos foram alternados ao longo do dia.

Segundo o superintendente da Infraero, Adilson Pereira, as operações do aeroporto devem ser regularizadas até o começo da manhã de quinta-feira, pois mesmo sem o fim da greve, funcionários de aeroportos que possuem habilidades técnicas de bombeiros substituirão os grevistas.

Composta por 65 bombeiros, a categoria que trabalha contra possíveis incêndios no aeroporto, está bem reduzida. "São 65 homens que trabalham aqui. Eles se dividem em três escalas, ou seja, são cerca de 22 por dia. Hoje, não temos ninguém. Eles não vieram trabalhar. Estamos tentando resolver o problema para evitar o cancelamento de voos", explicou o superintendente Adilsom Pereira.

O superintendente acrescenta que a Infraero nacional já informou que está deslocando equipes de salvamento de Salvador, Aracaju, Recife e Paulo Afonso para operar em Maceió. O próprio meio de deslocamento dessa equipe ainda não estava confirmado, pela inviabilidade técnica de pouso.

Greve

Durante a Assembleia realizada ontem, foi decidido por unanimidade o desaquartelamento dos militares por 48 horas, medida que os leva a não ir trabalhar nos quartéis nestes dois dias, podendo a categoria se livrar, inclusive, de punições que seriam imputadas pelo comando geral da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, caso aquartelassem, segundo a Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal).

Caminhada

Exibindo dezenas de faixas com reivindicações, os militares iniciaram uma caminhada ontem com um apitaço e, logo em seguida foram distribuídos nariz de palhaço a todos como forma de protesto, segundo a Assomal. Muitos familiares aderiram ao movimento que passou pelo Quartel Geral da Polícia Militar e, logo em seguida, parou na Assembleia Legislativa. Quando os servidores públicos souberam sobre o aumento de R$ 9 mil para R$ 20 mil aos deputados estaduais, houve tumulto.

Inúmeras pessoas começaram a balançar as grades da Assembleia Legislativa até derrubá-las. Depois, tentaram abrir a porta principal do local, mas não conseguiram fazê-lo. Outros militares contiveram os ânimos dos mais exaltados e foi dada continuidade à caminhada.

Assembleia

Na sexta-feira, às 15h, os militares irão se reunir novamente para deliberar outras ações em Assembleia. Com relação ao jogo da seleção feminina brasileira contra a seleção do Chile que ocorrerá no próximo sábado, o major da PM Fragoso explicou que, caso não haja uma resposta positiva por parte do governo até sexta-feira, a Polícia Militar não vai fazer a segurança durante o jogo. "Absurdamente foi publicado no Diário Oficial do Estado na segunda-feira que o governo do Estado está pagando R$ 280 mil para uma empresa administrar o jogo, mas quem deveria pagar isso é a CBF, não o Estado", pontuou.

 

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