Greve de policiais no ES pode estender-se ao ano-novo

O Espírito Santo pode passar o ano-novo sem policiais nas ruas. Pela segunda vez em pouco mais de uma semana, os policiais militares nãofizeram policiamento ostensivo. Eles decidiram se aquartelar até que o governo do Estado deposite os salários atrasados de novembro. O movimento teve início às 7 horas desta segunda-feira.O presidente da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo, João Luiz Vialeto, informou que, enquanto o salário de novembro não estiver na conta, os policiais não retornam às ruas. "Se o dinheiro estiver na conta hoje (terça), possivelmente voltaremos às ruas amanhã", afirmou Vialeto.A Polícia Civil também está de braços cruzados no Estado e, em assembléia realizada nesta segunda, no início da tarde, os policiais civis decidiram prosseguir com a greve. Nesta terça tambémhaverá uma nova reunião de policiais civis, para decidir se eles vão radicalizar omovimento, deixando de cumprir serviços básicos, como registro de flagrante e recolhimento de cadáveres.Mas o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), José Rodrigues Camargo, informou que a posição da diretoria do sindicato é não radicalizar. "Estamos nos manifestando contra o governo, não contra a população. Sealguém apresentar a proposta de radicalização do movimento, colocaremos em votaçãoe acataremos a vontade da maioria", afirmou Camargo.A Secretaria de Estado da Fazenda anunciou no último sábado que o dinheiro da Polícia Militar estaria depositado na tarde desta segunda, mas que só deveriaestar disponível nesta terça, que é feriado bancário. No final da tarde desta segunda-feira, aassessoria da Secretaria da Fazenda informou que o dinheiro ainda não havia sidodepositado e que o secretário da Fazenda, João Luiz Tovar, estava em reunião eaguardando resposta do governador José Ignácio Ferreira (sem partido), que estaria emBrasília, tentando liberar os recursos junto à Secretaria do Tesouro Nacional.Segundo o subsecretário da Fazenda, Jair Gomes da Silva, para elaborar ocronograma a atual administração contou com dinheiro que poderá ser liberado peloGoverno Federal e com arrecadações que ainda serão realizadas pelo Estado no mêsde janeiro, já no novo Governo."Quem deve aos funcionários é o Governo, não ogovernador José Ignácio ou o governador eleito, Paulo Hartung. Se o novo governo não pagar,o problema é dele. O novo governo é que não vai estar assumindo o mesmo compromisso que tivemos com os servidores", declarou Jair Gomes.Segundo Gomes, os recursos conseguidos junto ao Governo Federal só serão suficientes para cobrir a metade da folha de novembro. O coordenador da equipe de transição do novo governo e futuro secretário da Fazenda, José Teófilo, alertou que a população está diante de um "novo calote", dogovernador José Ignácio."Esse anúncio de pagamento é como o que ocorreu nasemana passada, quando os servidores foram aos bancos e encontraram as contasvazias, na véspera do Natal. Não há recursos para efetuar o pagamento", disse Teófilo.

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