Greve deixa região metropolitana de Recife sem ônibus

Nenhum ônibus circulou hoje nas ruas do Recife e região metropolitana, no primeiro dia de uma greve por tempo indeterminado deflagrada por motoristas, cobradores e fiscais. Eles querem 18% de aumento salarial e rejeitaram a oferta de 5% feita pelos empregadores, durante rodada de negociações na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Um milhão e meio de usuários foram atingidos pela paralisação, que teve total adesão da categoria, sem piquetes nem confrontos, e pegou de surpresa a população. Kombis, bestas e vans se aproveitaram da situação e cobraram até R$ 3,00 para transportar os passageiros.À tarde, o vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT- 5ª Região), juiz Fernando Cabral, concedeu liminar à medida cautelar impetrada pelo Ministério Público e determinou que 50% dos motoristas e cobradores e 30% do pessoal administrativo retornassem ao trabalho. Ele estabeleceu multa diária de R$ 50 mil a qualquer dos sindicatos - dos empregados ou patronal - que descumprir a decisão. O juiz argumentou que a população não pode ser prejudicada, especialmente a de baixa renda.O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado, Marconi Filizola, disse que a categoria não apoiou a greve dos trabalhadores. "Nenhuma empresa conseguiu botar nenhum dos 2,6 mil veículos da frota na rua porque não compareceu ninguém ao trabalho", disse ele. "Foi uma greve atípica". Os empresários afirmam que só podem atender à reivindicação dos motoristas se puderem repassar o aumento para as passagens de ônibus. A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) já se posicionou contra este repasse. O presidente da empresa, Alexandre Castro e Silva, argumentou que o aumento não é a melhor medida, porque afasta o passageiro. E garantiu que ações que estão sendo implementadas pelo órgão - a exemplo de fiscalização do transporte alternativo - promoverá o reequilíbrio das finanças das empresas de transporte.Até o final desta tarde, representantes dos grevistas e dos empregadores continuavam reunidos na DRT, buscando uma solução para a greve. A EMTU considerou precipitada a paralisação.

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