Greve do Metrô é reprovada por 75,3% de internautas

Os trabalhadores do Metrô de São Paulo deflagraram uma greve de 24 horas nesta terça-feira, 15, por discordarem da Parceria Público-Privada (PPP) entre o governo do Estado de São Paulo e um consórcio de empresas para a conclusão de obras da Linha 4 Amarela (Luz-Vila Sônia) no valor de R$ 1,3 bilhão. A paralisação, que chegou ao fim nesta quarta-feira, prejudicou cerca de 2,8 milhões de passageiros que se dirigiam ao trabalho ou a outros compromissos. Em enquete realizada pelo Portal Estadão, 75,3% de um total de 1089 internautas discordaram da greve. "Os metroviários não têm o direito de privar a população do direito de ir e vir, trazendo grandes prejuízos para as indústrias e o comércio. Muitas pessoas não têm carro e dependem totalmente do Metrô", declarou o internauta Roberto Harakawa. Viagens adicionais em outros meios de transporte, desgaste dos carros, danos ao ambiente, perda na arrecadação e outros fatores, podem ter causado um prejuízo de cerca de R$ 70 milhões, de acordo com especialistas em transportes.Apesar de o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ter mantido liminar prevendo que, em caso de greve, os metroviários deveriam garantir a manutenção de 100% da frota de cada linha nos horários de pico (entre 6 e 9 horas e entre 16 e 19 horas), e de 80% nos demais horários, não foi isso o que aconteceu. O internauta Alexandre Azevedo disse ter ficado indignado com a falta de cumprimento do acordo por parte dos 1.600 metroviários que participaram da assembléia que decidiu a greve. "Há que se ter limites para tudo. Não é justo que uma meia dúzia de pessoas prejudique a vida de outras 2,8 milhões".Para o internauta Paulo Peixoto "os metroviários têm razão em questionar o projeto de privatização, mas paralisar totalmente a cidade que depende do transporte público é lastimável". Peixoto acredita que o governo do Estado deveria ter tomado alguma medida para evitar a greve anunciada já no dia anterior.Por outro lado, 269 internautas se mostraram favoráveis à paralisação. "Sou a favor da greve dos metroviários. Sempre que acontece alguma privatização, muitas pessoas são demitidas e funcionários são desvalorizados", opinou uma das internautas, que se identificou apenas como Alba. Esse é justamente o motivo apresentado pelo sindicato da categoria para justificar a paralisação. "Os metroviários cruzaram os braços em defesa do patrimônio e contra a privatização", anunciou, na segunda-feira em entrevista coletiva à imprensa, o presidente do sindicato da categoria, Flávio Godoi. O sindicalista alega que o menor número de funcionários, com remuneração mais baixa e menos benefícios, criará uma subcategoria de metroviários, e comprometerá a operação do sistema.Para o internauta Vicente Rossetto, porém, o sistema já está comprometido com filas constantes para aquisição de bilhetes ou recarga de cartões de bilhete único. "Ao invés de greve contra a parceria, eles deveriam estar preocupados em melhorar o nível dos serviços e conquistar a simpatia da população". Conotação PolíticaPor não terem apresentado nenhuma reivindicação trabalhista, a greve acabou adquirindo uma conotação política reforçada pelo fato de ter sido deflagrada em plena campanha eleitoral e justamente no dia em que começou o horário político-eleitoral no rádio e na TV. "Só às vésperas de uma propaganda eleitoral se deflagra a greve. Será coincidência?", questiona o leitor João Carlos Carniel.Por ter descumprido o acordo com o TRT, a greve deve ser considerada abusiva em julgamento que deve ocorrer ainda esta semana e, neste caso, o Sindicato terá de pagar a multa de R$ 100 mil estabelecida na liminar do tribunal. Para a advogada trabalhista Elizabeth Djehadian, é difícil que a greve não seja considerada abusiva. "O motivo, a Parceria Público-Privada para o funcionamento da Linha Amarela, não seria plausível para prejudicar tantas pessoas", acredita Elizabeth. Para ela, os interesses envolvidos nessa greve são menores que os da própria coletividade. "Eles podem usar o direito constitucional que garante a greve, mas devem fazer uso desse direito de acordo com a legislação", defende a advogada.

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