Greve do transporte em BH entra no 3º dia

A maior greve dos trabalhadores do transporte rodoviário da região metropolitana de Belo Horizonte entrou no seu terceiro dia mantendo hoje com a adesão de 100% da categoria. Mais de 30 mil rodoviários cruzaram os braços na última quinta-feira, deixando cerca de 2,5 milhões de pessoas sem transporte coletivo na Grande BH. A eficiência da paralisação e a proporção histórica do movimento, contudo, geraram suspeitas durante a semana passada de que houve interesse das empresas de ônibus em facilitar a greve. O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga se o movimento dos rodoviários teria por trás o patrocínio do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setransp). A desconfiança do MPT de que a população estaria sendo vítima de um locaute foi levantada pelo procurador Arlélio de Carvalho Lage já no primeiro dia de paralisação. O principal indício seria a queda na receita das empresas com a perda de 20% dos passageiros para o transporte clandestino e alternativo. "A ?greve branca´ serve para pressionar o poder público a dar solução para o problema", afirmou na ocasião o procurador. As suspeitas aumentaram diante do impasse nas negociações - iniciadas no dia 1º de fevereiro - entre empresários e rodoviários. O Sindicato dos Rodoviários reivindica um reajuste salarial de quase 108%, a manutenção e melhoria nos planos de saúde e odontológico, o aumento no valor dos tíquetes-alimentação e a redução da jornada de trabalho de 6h40 para 6 horas, além da garantia de emprego dos cobradores com a implantação da bilhetagem eletrônica. Já o Setransp mantém uma posição radical: propõe reajuste zero, aumento da jornada de trabalho para 7h20 e extinção dos planos de saúde e odontológico. Na última tentativa de solução para a greve, a diretoria do Sindicato patronal pediu às entidades reguladoras do trânsito na região metropolitana da capital mineira o pagamento de 100% da planilha de custo para manter a concessão de benefícios aos rodoviários, além da cobertura do déficit da Câmara de Compensação Tarifária do setor, no valor de R$ 120 milhões, propostas rejeitadas de imediato.

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