Greve dos motoristas termina em vitória da categoria

A paralisação dos motoristas e cobradores de três empresas de ônibus da cidade que estavam de braços cruzados desde quarta-feira terminou no fim da tarde desta sexta-feira com uma vitória da categoria.Os empresários se comprometeram na Justiça a pagar o salário atrasado de outubro e a negociar outras reividicações. A decisão foi anunciada após um dia inteiro de manifestações. Entre 700 e 1.000 funcionários saíram às ruas em um comboio com aproximadamente 70 ônibus.Ao todo, 570 mil passageiros dos ônibus do Consórcio Trólelus Aricanduva, do Expresso Paulistano Ltda. e da Viação América do Sul (que operam 98 linhas na zona leste) foram prejudicados. O protesto também provocou lentidão em diversos pontos da cidade.O pico da manhã foi de 98 quilômetros, às 9 horas - contra 56 km na última sexta-feira. O comboio deixou a sede da Secretaria Muncipal dos Transportes, em Pinheiros, por volta das 13 horas e chegou ao Palácio das Indústrias, centro, - às 17 horas.Três das quatro faixas da Avenida Paulista, sentido Paraíso, e toda a Avenida Brigadeiro Faria Lima, sentido centro, foram interditadas pelos manifestantes à tarde. A secretaria permitiu que táxis rodassem como lotação e abriu a via exclusiva de ônibus na zona leste para os automóveis. Sete ônibus tiveram os pneus furados pela manhã.Para efetuar o pagamento dos salários - que deveriam ter sido depositados no dia 5 -, as empresas acabaram recorrendo a um empréstimo de emergência. "Elas conseguiram um empréstimo de R$ 1,2 milhão de um banco privado, e a SPTrans adiantou cerca de R$ 700 mil", disse o secretário dos Transportes, Carlos Zarattini.O empréstimo foi o último recurso das três empresas. Os empresários ligados ao Transurb (sindicato que reúne os proprietários das empresas) não haviam aceitado que seus repasses fossem atrasados em prol das três companhias, segundo Zarattini.O presidente do sindicato dos motoristas e cobradores, Edvaldo Siqueira, comemorou o acordou. "Se vocês tivessem ficado dentro da garagem, o pagamento só teria saído daqui a cinco, dez dias", disse ele, no carro de som que acompanhou o comboio até a Prefeitura.Siqueira afirmou porém que o sindicato deverá realizar uma assembléia geral na segunda-feira para discutir uma eventual greve da categoria. O motivo, segundo ele, é que muitas empresas não estariam depositando FGTS e INSS na conta dos trabalhadores, embora estejam recolhendo os valores correspondentes nos holerites. "Essa reivindicação é tão importante quanto pagamento dos salários atrasados".A assessoria de imprensa do Transurb não rebateu essas acusações. Zarattini, por sua vez, afirmou que o sindicato nunca apresentou formalmente essa acusação e, de qualquer forma, é um problema trabalhista fora da ação da secretaria. A questão dos dias parados e dos impostos será discutida a partir de agora, segundo o acordo.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 23h10

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