Greve dos rodoviários em BH paralisa região metropolitana

Sindicato reivindica maior salário, jornada de 6 horas e manutenção da função de despachante e cobrador

Ivana Moreira, especial para O Estado de S. Paulo,

22 de fevereiro de 2010 | 11h35

Moradores da região metropolitana de Belo Horizonte estão revoltados com a greve dos rodoviários, iniciada na madrugada desta segunda-feira, 22. A maior parte das pessoas foi surpreendida com a manifestação quando estava no ponto à espera do ônibus para ir ao trabalho.

 

"É um desrespeito", reclamou a doméstica Eva dos Santos, de 35 anos. Ela levantou antes das 6 das manhã para deixar o filho de 10 meses na casa da senhora que cuida dele durante o dia e foi para o ponto do ônibus, em Betim. Ficou quase duas horas por lá, com esperança de que os ônibus voltassem a circular, antes de tomar a decisão de ligar para a patroa informando que não conseguiria chegar ao trabalho, na região central de Belo Horizonte.

 

Segundo informações da Polícia Militar, registros de depredação de veículos e atos de violência são inúmeros e partem de diferentes regiões. Com dados descentralizados, a PM ainda não conseguiu divulgar um balanço sobre prejuízos e pessoas detidas. No início da madrugada, os policiais do 34º Batalhão prenderam o primeiro grupo de pessoas que apedrejava ônibus na Avenida Américo Vespúcio, no bairro Caiçara, região noroeste da capital.

 

O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Transporte Coletivo informou que a greve tem como objetivo pressionar as empresas a conceder aumento salarial e promover melhorias nas condições de trabalho. A categoria reivindica 37% de aumento no salário, jornada de seis horas de trabalho e compensação das horas. Eles querem ainda a manutenção da função de despachante e cobrador cujas obrigações, em algumas linhas, passaram a ser também dos motoristas.

 

Em nota, as empresas de transporte coletivo da região metropolitana de Belo Horizonte informam que apresentaram ao sindicato uma proposta de reajuste que coloca os trabalhadores do setor entre os de maior remuneração considerando os salários pagos em todas as capitais do País. Para as empresas, "a ausência ao trabalho pode representar demissão por justa causa por descumprimento da Lei de Greve".

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