Greve dos servidores da Justiça do Rio completa 20 dias

Sindicato afirma que mais de 1 milhão de casos estão acumulados desde a o início da paralisação em 19 de outubro; Tribunal de Justiça nega existência da greve

Solange Spigliatti, Central de Notícias

08 Novembro 2010 | 15h41

SÃO PAULO - A greve dos servidores do Judiciário no estado do Rio de Janeiro completa 20 dias nesta segunda-feira, 8. O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Rio de Janeiro (SindJustiça) afirma que mais de 1 milhão de casos estão acumulados desde o início da paralisação, em 19 de outubro. Com apenas 30% do efetivo trabalhando, a categoria está atendendo apenas os casos considerados de emergência, como liminares de pensões alimentícias, busca e apreensão de menores, liberação de verba para compra de remédios e alvarás de soltura. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) nega a existência de paralisação.

 

O comando da greve exige a garantia de 24% de aumento para todos os servidores. Segundo o sindicato, o reajuste foi aprovado em 1987, no governo Moreira Franco. Depois de 22 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo cumprimento da medida a partir do dia 3 de setembro deste ano, mas o "governo do estado e o tribunal não cumpriram a determinação".

 

A diretoria do SindJustiça informou que a presidência do tribunal condicionou a abertura de diálogo com os coordenadores do sindicato à suspensão da greve. Em assembleia, na última quinta-feira (4), entretanto, a categoria aprovou a continuidade da paralisação. Uma nova assembleia geral está marcada para o dia 11, às 15h, em frente ao Palácio da Justiça.

 

De acordo com o coordenador-geral do SindJustiça, Amarildo Silva, "existe um acúmulo de serviço muito grande. Isso prejudica a população jurisdicionada, prejudica a classe dos advogados, mas a gente quer ver onde nós estamos sendo prejudicados e resolver essa questão do reajuste".

 

Silva afirmou ainda que a presidência do TJRJ não admite a existência do movimento grevista e faz intensas pressões sobre os servidores. O sindicalista acusou a atual administração de ameaças em relação ao corte da folha de ponto e da suspensão dos salários. De acordo com o coordenador do sindicato, o tribunal removeu arbitrariamente 33 servidores de suas funções habituais para lugares distantes como forma de punição. O sindicato espera reverter as punições no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

À imprensa, o TJRJ nega que haja greve e diz desconhecer as reivindicações. Segundo a assessoria do órgão, "os servidores estão trabalhando normalmente". As informações são da Agência Brasil.

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