Greve foi ''político-eleitoral'', diz Serra

Tucano defende parecer de procurador, segundo o qual movimento de professores em SP visou a desgastar candidatura à Presidência

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Candidato do PSDB à Presidência, José Serra disse ontem que a greve dos professores da rede estadual em São Paulo, no mês passado, foi uma propaganda eleitoral antecipada.

Nesta semana, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, publicou parecer onde considera procedente a denúncia apresentada pelos partidos de oposição em que acusam o Sindicato dos Professores de São Paulo de usar a greve da categoria, em março, para fazer propaganda eleitoral negativa contra Serra.

Os grevistas interromperam, na ocasião, uma cerimônia de inauguração de uma obra na capital com manifestações de repúdio e vaias ao então governador paulista. "A iniciativa da denúncia não foi minha - os autores são o PSDB e o DEM - mas eu também creio que foi propaganda antecipada", disse Serra pouco antes de participar, ontem, da solenidade de posse do ministro Cezar Peluso na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).

No parecer, enviado na véspera ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gurgel avaliou que, em vez de debater as condições de trabalho dos professores da rede estadual paulista, o movimento grevista mirou o presidenciável, detendo-se na "depreciação do candidato ao cargo majoritário do governo federal pelo PSDB". Serra concordou com todas as letras do parecer.

"Aquela realmente foi uma decisão tipicamente político-eleitoral, a pretexto de uma ação sindical", disse o pré-candidato tucano, sem contudo arriscar um palpite sobre a repercussão desse parecer na atuação dos sindicatos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT durante a campanha. Indagado se a manifestação de Gurgel vai inibir ações semelhantes do movimento do Sindicato dos Professores de São Paulo, Serra disse apenas que "não ajuda".

Ciro. O tucano se recusou a comentar os elogios recebidos do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que até agora vinha fazendo oposição ferrenha ao PSDB paulista e críticas severas ao governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao portal iG, Ciro o considerou "mais preparado" do que a adversária petista Dilma Rousseff para governar o País. "Não vou fazer nenhuma declaração a esse respeito. Não costumo comentar questões de outros possíveis candidatos, ou não", afirmou Serra. A candidatura Ciro está na iminência de ser oficialmente descartada pelo PSB.

Indagado sobre a defesa do fim da reeleição com cinco anos de mandato, que ele fez no início da semana ao lado do ex-governador mineiro Aécio Neves, Serra observou que esta não é uma questão que envolve as eleições, tampouco é um item de seu programa de governo e, destacou, "muito menos um vale". Segundo ele, o tema não é prioritário porque "o Brasil não está pedindo uma definição a esse respeito".

"Over". Aos que consideraram sua manifestação "um aceno ou um carinho" a Aécio Neves, como sinal de que ele poderá abrir espaço à candidatura presidencial do mineiro em 2014 caso vença as eleições de outubro, Serra disse que "isto é over" porque não foi o que ele quis dizer quando indagado sobre a reeleição. "Esta é uma posição minha, que vem de longe, e eu não precisaria, para ter Aécio a meu lado, defender uma posição dessas."

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