Greve no metrô causa tumulto na Luz; paralisação continua hoje

Movimento deixou estações superlotadas, prejudicando 1,2 milhão de pessoas; rodízio de veículos foi suspenso

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

Continua hoje, e por tempo indeterminado, a greve dos metroviários de São Paulo, que ontem afetou cerca de 1,2 milhão de passageiros. Os funcionários não entraram em acordo com a Companhia do Metropolitano à tarde, em negociação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para discutir o pagamento da participação nos resultados e decidiram manter a paralisação.A greve provocou tumulto e irritação nos paulistanos, especialmente no início da noite, quando 5 mil pessoas tentavam embarcar nos trens na Estação da Luz, região central. Armados e com bombas de gás lacrimogêneo, cerca de 15 policiais militares tentavam conter os passageiros. Algumas pessoas se feriram, como Lúcia Pereira, que teve um corte com sangue no cotovelo. A comerciante Sandra Oliveira, de 27 anos, desmaiou e foi socorrida por policiais.Durante todo o dia, o que mais se viu em todos os pontos das quatro linhas do Metrô foram pessoas irritadas, estações superlotadas, disputa por lugares em ônibus e trens, filas intermináveis, falta de informação e catracas desligadas. A região mais afetada foi a zona leste, servida pela Linha 3 (Vermelha) que liga as zonas leste e oeste, cujas 18 estações permaneceram trancadas ao longo do dia. A Linha 5 (Lilás) também ficou parada. As outras linhas, 1 (Azul, que liga as zonas norte e sul) e 2 (Verde, no trecho entre as estações Ana Rosa e Clínicas) operaram com 60% da frota normal. O rodízio foi suspenso ontem, e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) só informaria às 5 horas de hoje se a medida seguiria.No início da manhã, após não conseguir tomar o metrô na Sé sentido Barra Funda, passageiros tiveram de voltar à Estação da Luz e ficaram revoltados ao saber que não poderiam fazer transferência gratuita para a CPTM, já que a passagem estava também interditada, com reforço de 14 policiais militares. A instrução era sair da estação metroviária e ir até a estação de trem, pagando nova passagem. Indignadas, as pessoas ameaçavam invadir o espaço. Às 7h20, a aglomeração cresceu e algumas pessoas chamavam os agentes de ''''vagabundos''''. A greve também pegou de surpresa centenas de pessoas que foram ontem ainda na madrugada à Estação Jabaquara, na zona sul. Sem saber que o metrô ia parar, nem que voltaria a funcionar às 6 horas, muitos entraram em ônibus lotados ou desistiram de sair da região. Às 5h15 já havia mais de 100 pessoas no ponto de ônibus. O ambulante Antônio Machado, de 60 anos, deficiente visual, teve dificuldade para entrar no ônibus no meio da multidão. ''''Essa greve só dá prejuízo.'''' Às 6 horas, a estação abriu. Às 7h40, mais de 200 pessoas se aglomeravam nas catracas. ''''Está horrível'''', disse Marlúcia Silva, com o filho de 1 mês.PUNIÇÕESO governador José Serra afirmou que vai descontar dos metroviários os dias parados e procurará outras punições para os grevistas. ''''Essa greve é insensata. Revela o desprezo desse sindicato do Metrô, que é da CUT, pela população trabalhadora de São Paulo.'''' O presidente da CUT, Edilson de Paula, afirmou que a paralisação não é política, e que a central lidera milhares de sindicatos com autonomia para agir.Já o prefeito Gilberto Kassab classificou a greve de ''''indevida'''' e disse que os metroviários precisam pensar no coletivo. ''''Isso (a greve) é um seqüestro do direito dos paulistanos. Vamos para o caminho da negociação e do diálogo.'''' Kassab se disse satisfeito com as medidas tomadas, como uma linha de ônibus que liga Itaquera, na zona leste, ao Parque D. Pedro, no centro, suspensão o rodízio e uso de toda a frota de ônibus.A vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT), Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva, ampliou liminar concedida anteontem ao Ministério Público do Trabalho (MPT), determinando que Metrô e sindicato mantenham 85% do serviço nos horários de pico. Em caso de desrespeito, a multa diária é de R$ 100 mil, revertida a hospitais.

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