EFE/Mario Ruiz
EFE/Mario Ruiz

Greve da aviação no Chile prejudica viagens de brasileiros

Pousos e decolagens para SP e Rio foram afetados; paralisação é feita por funcionários da aeronáutica e controladores de tráfego

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 13h06

Atualizado às 20h06

SÃO PAULO - Uma paralisação de funcionários da aeronáutica e controladores de tráfego aéreo do Chile provocou cancelamento e remarcação de voos internacionais no aeroporto de Santiago, na capital, nesta terça-feira, 15. Pousos e decolagens para São Paulo e Rio de Janeiro foram afetados, o que provocou transtornos para brasileiros que tentavam voltar para o País. 

Por causa da greve, foram canceladas quatro partidas e seis chegadas ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, além de um embarque e três pousos no Galeão, no Rio de Janeiro. Por volta das 11h30, horário de Brasília, um grupo com cerca de 20 brasileiros permanecia no saguão do aeroporto de Santiago para tentar resolver problemas envolvendo o retorno ao Brasil. No local, as categorias em greve também realizavam um ato por melhores condições de trabalho.

O protesto ocorre dias antes de um feriado nacional que celebra a independência do país. Os chilenos normalmente aproveitam o dia 18 de setembro para viajar, mas muitos cidadãos do país e turistas estão presos no aeroporto internacional da capital do país, Santiago. De acordo com o jornal La Tercera, a Câmara Nacional de Comércio, Serviços e Turismo estimou que 70 mil passageiros sejam afetados pela paralisação nos aeroportos.

"A gente fica literalmente parada em meio a um protesto dentro do aeroporto. É uma confusão, um caos generalizado", afirma a estilista Rebeca Guerreiro, de 33 anos. "Estamos sentados no chão, não temos cadeira para sentar, não temos comida, não temos como nos deslocar", diz. 

Os passageiros afirmam não terem sido comunicados pela companhia área LAN sobre o cancelamento dos voos. Também reclamam que vão precisar passar mais tempo do que o programado no Chile, já que são oferecidas remarcações para dias seguintes, mas que não receberam auxílio para custear alimentação, transporte e hospedagem.

"Tem gente que não tem dinheiro para passar mais tempo aqui e há pessoas com crianças aqui", diz a jornalista Renata Freitas, que deveria ter embarcado às 8h20 com destino a Guarulhos. Agora, ela só deve retornar ao Brasil na quinta-feira, 17.

"Tem gente que não estava programado nem trouxe dinheiro para passar mais dois dias no Chile. Como você faz para comer e se hospedar em outro país assim? É complicado", disse a professora Mariana Grespan, de 27 anos, que mora no Chile e recebeu a visita dos pais por causa do seu casamento. "Eles não sabiam da greve, não recebem e-mail da companhia, nada", afirmou.

Em nota, a companhia afirma que publicou em seu site o aviso sobre a paralisação desde o fim de semana, ainda antes da greve. "TAM e LAN informam que reprogramaram voos desde e para Santiago, e disponibilizaram voos adicionais para o dia 16 de setembro", diz a publicação. "As empresas pedem que seus passageiros confiram o itinerário de seus voos, uma vez que eles podem ter sido alterados."

As empresas também afirmam que o cancelamento de voos é provocado pela paralisação, alheia às companhias, e que seguem a legislação do Chile, que só obriga a companhia a custear despesa dos passageiros se houver problemas durante uma conexão.

A Gol afirmou que o voo G3 7663, de Santiago para Cumbica, previsto para às 15:35, iria decolar apenas à meia-noite do desta quarta-feira, 16, com previsão de chegada às 03:40. Os clientes deste voo estavam sendo avisados sobre a alteração e receberão assistência da companhia. A Sky Airlines, que teve uma partida e uma chegada canceladas no Aeroporto de Cumbica, não foi localizada.

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