AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Greve vai piorar trânsito em São Paulo

É a história do gato escaldado: asemana começa com ameaça de greve em setores do transportecoletivo, e o paulistano já se prepara para o caos. Ospassageiros começam a pensar em alternativas para chegar aotrabalho ou voltar para casa. E quem tem carro sabe que otrânsito vai ficar pior, e a solução é ter paciência.Na próxima quarta-feira, os motoristas e cobradores de ônibusdevem começar uma greve sem prazo para terminar. Ostrabalhadores não tiveram nenhuma reivindicação atendida pelosempresários do setor e tentam uma saída, em reunião nestaterça-feira com a prefeita Marta Suplicy. Também em campanhasalarial, os metroviários decidem na próxima quinta-feira se cruzam osbraços ou não. Eles não aceitaram a contraproposta oferecidapela Companhia do Metrô.Várias categorias têm data-base entre abril e junho. Ospróprios funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego(CET) estão em campanha salarial e programaram um ato no pátioda empresa para sexta-feira. "São os piores meses do ano",afirmou o gerente da Central de Operações da CET, Paulo RobertoMilano. Ele acredita que a frota circulante aumente entre 20% e25% em dias de greve de ônibus.Caso a paralisação seja confirmada, o efetivo demarronzinhos será reforçado, mas só nesta terça-feira à noite adireção da empresa definirá se o rodízio municipal de veículosserá suspenso ou não. Se as duas categorias estiverem em grevesimultaneamente, a cidade pode chegar bem perto do recorde de242 quilômetros de congestionamento registrado em junho de 1996.Na época, o rodízio não estava em vigor."É o tipo de problema que qualquer grandecidade vive. Mas se o sistema viário não estivesse tão saturado,absorveria melhor o impacto das paralisações", disse oprofessor Claudio Barbieiri, do Departamento de Engenharia deTransportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo."Uma pesquisa do Metrô mostrou que, de cada duas pessoas que sedeslocam na região metropolitana sem ser a pé, uma faz isso decarro. Não há sistema que agüente."A saída para o problema é bem conhecida na teoria, maspouco praticada. "Não há mágica, é preciso priorizar otransporte coletivo", enfatizou a urbanista Raquel Rolnik, daPontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp). "Existeconsenso técnico na área, mas historicamente ocorreu o inverso:só se investiu no viário."O edital de licitação do Sistema Integrado de TransportePúblico, anunciado no ano passado pela Prefeitura, está em fasefinal de elaboração e deve ser lançado entre o fim de junho e ocomeço de julho. Espera-se que o processo seja concluído em atéquatro meses. "Passaremos a ter um sistema organizado, coisaque não temos hoje", salientou a coordenadora do projeto, AnaOdila de Paiva Souza, da Assessoria Técnica da SecretariaMunicipal de Transportes.Para entrar em vigor, porém, o projeto dependerá daconstrução de novos terminais e estações de transferência depassageiros, além da adoção de bilhete eletrônico em ônibus evans. Com isso, a estréia ficou para julho de 2003. "Numprimeiro momento, o transporte formal deve recuperar a demandaperdida para o informal (peruas clandestinas). Mas depois podereduzir uns 10% das viagens de automóvel."Por sua vez, o Metrô deve inaugurar em setembro a Linha5, que ligará o Capão Redondo ao Largo 13 de Maio, na zona sul,e terá integração com a Linha Celeste da Companhia Paulista deTrens Metropolitanos (CPTM). A Linha 4 do Metrô está emdiscussão e será construída por meio de concessão de uso.

Agencia Estado,

20 de maio de 2002 | 21h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.