Grevistas perdem a 1ª disputa

Na análise inicial pela Assembléia, reajuste de Serra passa na íntegra

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

A base governista da Assembléia Legislativa aprovou, ontem, o primeiro relatório dos quatro projetos de lei que propõem aumento de 6,5% e reestruturação da carreira dos policiais civis em São Paulo. O texto do projeto de lei complementar 59/2008 enviado pelo governador José Serra (PSDB) foi mantido na íntegra. Os governistas ainda definiram uma sessão extraordinária, com início à zero hora de hoje, para aprovar integralmente o pacote. Mas a oposição confirmou que manteria a "guerra de obstruções", conforme definiu o deputado Barros Munhoz (PSDB), para postergar a possível aprovação dos projetos de lei - alguns discursos duraram seis horas. "A expectativa deles (base aliada) é votar tudo até amanhã (hoje). Vamos usar todos os recursos que tivermos para atrasar as votações e forçar uma negociação (com os grevistas)", disse o deputado Rui Falcão (PT). "Eles estão quase declarando que querem aprovar logo para tentar dividir o movimento grevista, mas a proposta é pífia."Outro oposicionista, Major Olímpio (PV) chamou o governo de "rolo compressor" e "trator" que quer atropelar qualquer diálogo. "Esse é o governo do José ?Erra?. Erra no sistema previdenciário. Erra agora na polícia. Erra em tudo", ironizou. "Estamos piorando a situação da polícia com isso (aprovação dos projetos) e acabando com a dignidade dos policiais."Mas o deputado Munhoz deu sinais de que a base poderia ceder um pouco para alterar a proposta e pôr fim à greve, que dura 51 dias. "Pela minha experiência parlamentar, sei que coisas que discutimos por meses ou anos e parecem não ter solução podem ser resolvidas no último minuto", disse, comparando o jogo político à decisão da Formula 1. O líder do governo, Samuel Moreira (PSDB), demonstrou que a tônica era no máximo discutir como distribuir a proposta de Serra, de R$ 830 milhões à categoria, e não o montante ofertado. "A proposta representa 12% do que é destinado hoje para a polícia - bastante coisa. O governador gostaria de dar mais, tem amigos na polícia, mas precisa respeitar a lei orçamentária", justificou.Para o deputado, que tentava articular no colégio de líderes da Assembléia uma rápida votação no plenário das propostas que tivessem os relatórios votados nas comissões, uma vez sancionadas as leis de aumento e reestruturação, a greve acaba. "É melhor aprovar esse aumento do que não aprovar nada. E nada impede que depois se façam negociações."As discussões entre os parlamentares e as votações dos relatórios foram acompanhadas por pelo menos 30 policiais, que vaiaram os votos da base aliada e em coro gritavam pela manutenção da greve. "É um teatro, daqui não vai sair nada. Mas temos de marcar presença para o governo não achar que o movimento perdeu força e não quer negociar. Se ficar nessa proposta, a greve continua", adiantou Sérgio Roque, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil. COLABOROU BRUNO PAES MANSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.