"Gringo" era cúmplice argentino do grupo de "Pedrão"

O Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) divulgou nesta segunda-feira a foto de um argentino, apelidado de Gringo, que usa o nome falso de Jairo dos Santos. Ele pertence ao grupo de seqüestradores chefiado por Pedro Ciechanovicz, o Pedrão, usa nomes falsos e seria o responsável pela negociação para o pagamento dos resgates, por telefone, cartas e fitas de vídeo.Pedrão disse ao delegado Everardo Tanganelli, do Denarc, que dividia o comando com Gringo e Altair Rocha da Silva. O Denarc soube que Gringo foi libertado em 1999, após ser autuado por porte ilegal de arma, da cadeia de Mairinque, na região de São Roque, onde a quadrilha tinha um cativeiro. E nunca mais foi preso.Ele fora detido com Rocha da Silva cinco dias antes. Na tarde de 18 de setembro de 1999, cinco homens invadiram a cadeia e resgatarem os dois. Os comparsas estavam com fuzis AR-15, metralhadora e automáticas. Na fuga, deixaram na cadeia uma pistola de fabricação austríaca."Gringo telefonava para as famílias para negociar o dinheiro a ser pago", informou Tanganelli. Gravações do bandido, que falava espanhol com parentes das vítimas, estão com a Divisão Anti-Seqüestro (DAS), que faz levantamento do bando há cinco anos.O diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, acredita que Gringo utilizou em seus crimes métodos aplicados pelo grupo que seqüestrou Abílio Diniz. Dos 29 integrantes da quadrilha, 17 estão com prisão preventiva decretada. Destes, 13 estão na cadeia. Com parte do dinheiro dos crimes, os bandidos compraram carros, casas, motos, barcos, terrenos e fazendas. Pedrão teria uma ilha no Paraná.Segundo Tanganelli, o argentino participou de todos os seqüestros do grupo de Pedrão e escrevia cartas. "Numa carta enviada aos parentes do empresário Roberto Benito Júnior, algumas palavras usadas são de origem espanhola", disse o policial. Benito Júnior, um dos herdeiros das Lojas Cem, ficou 119 dias seqüestrado.Neste fim de semana, Pedrão confessou os seqüestros da estudante Natasha Ometto, de 17 anos, filha do dono da Usina da Barra, e do empresário Antônio Grecco, levado da cidade de Itatiba, no interior do Estado.Os seqüestradores usam nomes falsos. Pedrão tem carteira de identidade, de habilitação, CPF e título de eleitor em nome de Manoel Ribeiro da Silva. Ele morava havia pelo menos um ano na casa do bairro Pinheirinho, comprada à vista com dinheiro de seqüestros, ao lado da residência de um juiz.Com o nome falso, pagava convênio médico, tinha conta e aplicações em bancos e votou nos últimos oito anos. "Declarei até Imposto de Renda e era isento", ironizou. O Denarc continua tentando descobrir o cativeiro de João Bertin.O empresário Girz Aronson reconheceu na sexta-feira, em São Roque, a chácara onde ficou 14 dias. Ele foi seqüestrado por Pedrão quando estava em sua loja, no centro. Ontem, Aronson esteve no Denarc. Emocionado, informou ter reconhecido Pedrão pela voz e pela altura."Sabia que a polícia iria prender essa gente e encontrar o lugar onde fiquei. Tem de dar para eles o mesmo tratamento que dão para os seqüestrados. Ele dizia que, se minha família não pagasse, iria acabar com a minha vida."Segundo Aronson, quando o levaram para o cativeiro, os bandidos perderam a chave. "Arrombaram a janela e me jogaram de cabeça. Fiquei muito ferido."

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