Darlon Dutra/Facebook
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Grupo assalta R$ 120 mi e leva cenário de guerra à fronteira Brasil-Paraguai

Com metralhadoras e fuzis, esquadrão do crime bloqueou ruas, incendiou veículos e disparou rajadas contra prédios - um policial foi morto; PCC ou CV são suspeitos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2017 | 09h17
Atualizado 24 Abril 2017 | 16h56

SOROCABA - Ao menos 30 homens com armas de guerra invadiram o prédio da empresa de valores Prosegur, explodiram cofres e levaram US$ 40 milhões (cerca de R$ 120 milhões), na madrugada desta segunda-feira, 24, em Ciudad del Este, cidade paraguaia na fronteira com o Brasil. Segundo a imprensa do país vizinho, este pode ter sido o maior assalto da história do Paraguai. Armados com fuzis automáticos e metralhadoras ponto 50, os criminosos bloquearam ruas, incendiaram veículos e dispararam rajadas contra prédios públicos.

Acuada, a polícia pediu reforços e munições. Um policial do Grupo Especial de Operações da polícia paraguaia foi atingido e morto.

De acordo com a delegada Denise Duarte, que investiga o assalto, testemunhas disseram que a ação foi praticada por um "esquadrão do crime" e que os criminosos falavam em português.

A suspeita é de que o assalto tenha sido praticado por grupos ligados a organizações criminosas brasileiras que disputam o controle da fronteira, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Ponte da Amizade, que liga Ciudad del Este a Foz do Iguaçu, no Paraná, no Brasil, foi bloqueada pelas polícias paraguaia e brasileira.

O presidente paraguaio, Horácio Cartes, determinou o deslocamento das Forças Nacionais para a cidade. Até as 8 horas, nenhum suspeito tinha sido preso.

Em nota, a Prosegur expressou pesar pela morte de um policial e ofereceu os pêsames à família. A companhia disse que "se preocupa com o nível de organização da quadrilha, sua capacidade de atuação e material bélico empregado pelo crime organizado nesta ação" e que, no momento, "não pode contribuir com mais nenhuma informação sobre o ocorrido para não interferir nas investigações policiais, mas reafirma que está colaborando com as autoridades policiais e judiciais nas investigações". 

"A Prosegur ainda informa que cumpre rigorosamente com todos os padrões de seguranças que se aplicam à gestão de numerário e custódia de valores em bases de logística, estabelecidos por grandes seguradoras de segurança", diz ainda a nota. 

 

Ataques em São Paulo. Os criminosos que explodiram o edifício da Prosegur em Ciudad del Estena adotaram estratégia semelhante ao assalto à sede da Protege, em Campinas, em março de 2016.

Embora a dimensão do roubo no Paraguai tenha sido maior, nos dois casos os criminosos bloquearam ruas com veículos incendiados, fizeram disparos contra prédios e carros para evitar a aproximação, usaram armas de guerra e explodiram as salas-fortes das empresas, fugindo com os malotes de dinheiro.

Os policiais têm uma lista de indícios que ligam as três ações. Para os investigadores, os assaltos foram planejados pelo mesmo grupo, que reuniria três bandos em uma espécie de consórcio criminoso.

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